Carros eléctricos? BE manda o Governo andar nos carris

Arrancaram nesta manhã as jornadas parlamentares do Bloco de Esquerda, no distrito de Aveiro.

Catarina Martins visitou esta manhã a feira de Espinho
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Catarina Martins visitou esta manhã a feira de Espinho LUSA/ESTELA SILVA

O deputado bloquista Jorge Falcato, que anda de cadeiras de rodas, não acompanhou os restantes membros do grupo parlamentar na viagem de comboio que fizeram nesta manhã, no Vouguinha, na linha do Vouga, distrito de Aveiro. Mas a falta de condições para pessoas com cadeiras de rodas poderem viajar naquele comboio não foi a única questão que levou os bloquistas a madrugar para apanhar o comboio. Com o objectivo de pressionar o Governo a investir na ferrovia, a coordenadora, Catarina Martins, fez mesmo questão de responder ao ministro do Ambiente, dizendo-lhe que a “responsabilidade de um Estado” não passa por “cobrar às pessoas o carro que podem ou não comprar”.

“Numa altura em que vemos o ministro do Ambiente pronunciar-se sobre o carro individual e como é que as pessoas devem ou não pensar as suas opções de transporte individual, é bom lembrar que a responsabilidade de um Estado para com as alterações climáticas não é cobrar às pessoas o carro que podem ou não comprar, mas sim dar-lhes uma alternativa de transporte colectivo não poluente. Essa alternativa é a ferrovia”, afirmou Catarina Martins aos jornalistas, no fim de uma visita à feira de Espinho, no primeiro dia de jornadas parlamentares do BE.

No sábado, o ministro do Ambiente e da Transição Energética, Matos Fernandes, admitiu que a frota automóvel do Estado "tem de se renovar" e que, para este ano, está prevista a aquisição de mais 200 veículos eléctricos para a administração pública. Numa entrevista ao Jornal de Negócios, tinha já dito ser “muito evidente que quem comprar um carro diesel muito provavelmente daqui a quatro ou cinco anos não vai ter grande valor na sua troca”.

Catarina Martins acrescentou também que “já foram aprovados vários projectos do BE sobre investimento na ferrovia”, que “a linha do Vouga é só mais um desses projectos e que não está a ser executado”: “É necessário executar rapidamente o investimento que é necessário”, declarou.

Fazendo jus a frases que ouviu na feira – “ela, quando fala, faz tremer a terra” –, disse ainda: “O Programa de Investimentos pode ter servido para ligar PS e PSD, mas não serviu para ligar o país pela ferrovia.”

A coordenadora lamentou que os “transportes ferroviários” tivessem sido “esquecidos” por este executivo e desafiou o Governo a requalificar a Linha da Vouga, a fazer naquela linha e noutras o mesmo que se fez em Guimarães e que fez passar a utilização de “300 mil passageiros para dois milhões”. O BE defende, entre outras alterações, mudanças na bitola da Linha da Vouga e que seja acautelada a ligação com a Linha do Norte. Aí estaríamos “a trabalhar pelo desenvolvimento do país” e a combater as alterações climáticas, porque se tiravam “carros das estradas”, frisou a deputada.

Antes, o líder da bancada parlamentar Pedro Filipe Soares também tinha sublinhado, aos jornalistas, que um dos objectivo destas jornadas parlamentares era pressionar o Governo para desbloquear “investimento público” e para fazer “sair do papel” os planos para a ferrovia.

O bloquista considera, aliás, um “desrespeito pela resolução aprovada na Assembleia da República” que os planos do Governo para a Linha do Vouga não incluam a alteração da bitola e a ligação com a Linha do Norte. Por isso, garantiu que, quando o Plano Nacional de Investimentos for debatido em breve no Parlamento, o BE não esquecerá o tema.