Opinião

Cartas ao director

Marcelino da Mata

Apreciei devidamente o entusiasmo refrescante (e ingénuo) de João Miguel Tavares no seu texto sobre Marcelino da Mata como o mais condecorado militar português de sempre. Marcelino, mais do que um militar, foi um guerreiro e, mais do que corajoso ou valente, um temerário. Representou o maior fenómeno em combate na nossa guerra de despedida do Império. Sem lhe tirar um milímetro aos seus feitos e à minha admiração por ele, até porque o conheço, obrigo-me, contudo, a esclarecer que, em relação ao escol dos combatentes metropolitanos, Marcelino, actuando no seu habitat natural, possuía duas decisivas vantagens: ser preto e falar dialectos guineenses. Podia vestir uma farda do PAIGC, entrar à vontade num acampamento e... Marcelino da Mata, se combatesse em Portugal, seria muito bom guerreiro, mas com certeza não tão bom como, por exemplo, Abreu Cardoso, Rebordão de Brito, Daniel Roxo ou Isaías Pires. Fora do seu habitat africano, simplesmente não poderia ser a lenda, "O Marcelino". Acresce que ele admira Alpoim Calvão, o "primus centurio" e cantor de ópera, e Carlos Matos Gomes, o comando e romancista. Ambos foram seus comandantes.

Rui de Azevedo Teixeira, Porto

E agora, Dr. Carlos Costa?

Carlos Costa foi nomeado a 7 de Junho de 2010 governador do Banco de Portugal. No entanto, como se tem verificado, não exerceu na prática e até ao dia de hoje todas as suas competências como deveria ter feito e, antes pelo contrário, pactuou com situações absolutamente incompreensíveis, como foi o caso da resolução do BES. Que atitude vai Carlos Costa tomar relativamente a Carlos Santos Ferreira e a Fernando Faria de Oliveira pelo comportamento que tiveram enquanto gestores da CGD? Devem continuar, depois de tudo o que fizeram, a ser consideradas pessoas idóneas para ocupar cargos de gestão bancária ou, pelo contrário, devem ser afastados dos cargos que ocupam? Será que o governador do Banco de Portugal vai, uma vez mais, olhar para o lado?

Manuel Morato Gomes, Senhora da Hora

Posições extremadas

Nem Maduro nem Guaidó serão a solução do desumano problema com que se depara a Venezuela, pois o que dá dó são os milhões de cidadãos estarem a servir de cobaias a quem nem lhes dá pão nem estabilidade económica e social. Já sabemos que os abutres e os falcões se perfilam para tirar dividendos da desgraça humana, sem contudo quererem solucionar o padecimento de milhões de inocentes.

José Amaral, Vila Nova de Gaia

Femicídio em Portugal

Aumentou o número de mulheres assassinadas em contexto familiar e o femicídio continua a deixar crianças e jovens órfãos de mãe. Honradas mulheres são metodicamente assassinadas pelos companheiros ou ex-companheiros. Há mulheres que mesmo divorciadas tombaram às mãos de psicopatas. Urge um plano nacional de combate a este flagelo que não pode deixar a sociedade civil indiferente.

Ademar Costa, Póvoa de Varzim