Venezuela: CDS-PP pede audição urgente de ministro da Defesa no Parlamento

O grupo parlamentar centrista considera "da maior urgência ouvir, em audição parlamentar, o ministro da Defesa Nacional", relativamente ao teor das discussões sobre a Venezuela mantidas no contexto da União Europeia.

Centristas querem saber o que discutiu João Gomes Cravinho reunião informal dos ministros da Defesa da União Europeia sobre a situação na Venezuela
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Centristas querem saber o que discutiu João Gomes Cravinho reunião informal dos ministros da Defesa da União Europeia sobre a situação na Venezuela LUSA/MÁRIO CRUZ

O CDS-PP pediu nesta quinta-feira a audição do ministro da Defesa no Parlamento, "com a maior urgência", para debater o "teor e conteúdo das discussões tidas em sede de concertação europeia" quanto à retirada de cidadãos luso-descendentes da Venezuela.

Num requerimento entregue na Assembleia da República, os centristas sublinham que "os desenvolvimentos políticos recentes na Venezuela suscitam preocupações acrescidas no acompanhamento que o Governo faz da comunidade portuguesa residente naquele país".

"Esse facto levou a que o ministro da Defesa Nacional, juntamente com os seus homólogos francês, espanhol e italiano, em reunião informal dos ministros da Defesa da União Europeia, discutisse as circunstâncias de crise que poderiam levar ao accionamento de um instrumento operacional de retirada dos cidadãos europeus, entre os quais portugueses e luso-descendentes, do território venezuelano", lembra o CDS-PP.

Nesse sentido, o grupo parlamentar centrista considera "da maior urgência ouvir, em audição parlamentar, o ministro da Defesa Nacional", relativamente ao teor das discussões sobre a Venezuela mantidas no contexto da União Europeia.

No dia 23 de Janeiro, o líder da Assembleia Nacional da Venezuela, Juan Guaidó, autoproclamou-se Presidente da República interino e declarou que assumia os poderes executivos de Nicolás Maduro.

Guaidó, de 35 anos, contou de imediato com o apoio dos Estados Unidos da América e prometeu formar um governo de transição e organizar eleições livres.

Nicolás Maduro, de 56 anos, no poder desde 2013, recusou o desafio de Guaidó e denunciou a iniciativa do presidente do parlamento como uma tentativa de golpe de Estado liderada pelos EUA.

A União Europeia fez um ultimato a Maduro para convocar eleições nos próximos dias, prazo que Espanha, Portugal, França, Alemanha e Reino Unido indicaram ser de oito dias, após o qual reconhecerá a autoridade de Juan Guaidó e da Assembleia Nacional para liderar o processo eleitoral.

Esta crise política soma-se a uma grave crise económica e social que levou 2,3 milhões de pessoas a fugirem do país desde 2015, segundo dados da ONU.

Na Venezuela, antiga colónia espanhola, residem cerca de 300.000 portugueses e luso-descendentes.