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Ler O Crime do Padre Amaro, um tweet de cada vez

Um técnico superior de cultura em Leiria, admirador de Eça, dividiu O Crime do Padre Amaro em tweets e vai publicar a obra completa no Twitter. Demorará, calcula, um ano e meio.

Caso chegue a completar a tarefa, Óscar Enrech levará um ano e meio a teclar O Crime do Padre Amaro —​ um trecho de 280 caracteres de cada vez. São seis tweets por dia que o técnico superior de cultura se compromete a publicar até o romance de Eça de Queirós poder ser lido na íntegra na conta de Twitter, criada no final de Janeiro. 

Por trabalhar em Leiria, onde a narrativa decorre, e por se assumir fã do escritor, Óscar escolheu transpor esta obra do romancista do século XIX para uma rede social "muito utilizada também pelos adolescentes", a mesma faixa etária que encontra Eça nos livros da escola e nas listas de leitura recomendada. "Quem sabe se esta plataforma motiva mais a leitura ou não, mas eu não sou purista", ri-se o mestre em Museologia, acrescentando que, mais do que o formato, o importante é que o texto "persista". "É uma obra que, apesar de ter sido escrita no século XIX, se mantém extremamente actual e por isso também acessível", acredita. 

Queria perceber como é que um texto longo se poderia adaptar a uma rede social a que recorre "quem gosta de escrever literatura breve", como poemas em haiku, assinala. E não foge à ironia de publicar um livro "de crítica social" numa rede como o Twitter.

Já tinha visto um utilizador espanhol fazer o mesmo, com o livro Dom Quixote de la Mancha e, diz, "não será o único". A conta, em espanhol, conta com 12,2 mil seguidores e 50,3 mil tweets e, na descrição, diz querer adaptar a tradição dos romances entregues por fascículos aos formatos do presente. 280 caracteres de cada vez é a única forma de pôr o público mais jovem a ler um romance de 200 páginas? "Não! Também não sou assim tão fatalista."