Tesla: e o carro premium mais vendido nos EUA volta a ser americano (e eléctrico)

Empresa de Elon Musk fechou o quarto trimestre com lucro. Model 3 bateu toda a concorrência em casa.

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O Model 3 foi o modelo "premium" mais vendido nos EUA em 2018 Reuters/Mike Blake

O polémico patrão da Tesla tinha definido o ano de 2018 como “o mais difícil”, mas na carta aos mercados que acompanha dos resultados do quarto e último trimestre, divulgados nesta quarta-feira à noite, a administração do fabricante de carros eléctricos prefere um adjectivo: “crucial”. E bem pode dar graças ao carro que tanto custou a parir, o Model 3, mas que ajudou a empresa californiana a fechar o ano em beleza: receitas a subir, trimestre a fechar com lucro (é apenas a quarta vez que isso acontece), margem estável, cash flow a subir e o modelo premium mais vendido nos EUA em 2018. “É a primeira vez, em muitas décadas, que um construtor americano consegue manter este primeiro lugar”, anota a carta.

Em termos financeiros, o resultado fica aquém do que esperavam os analistas de mercado mais optimistas. E a cotação da empresa, que tinha fechado nesta quarta-feira a subir 3,80%, reflectiu de imediato esse desfecho, caindo 2% nos primeiros minutos após o encerramento de Wall Street. A queda viria a ser ainda mais acentuada depois de, no final da conferência de apresentação de resultados, ter sido anunciada a saída do responsável pelas finanças da Tesla.

Face às contas trimestrais comunicadas em Outubro de 2018, a recta final do ano permitiu uma subida de 230 milhões de dólares na receita proveniente da venda de carros, de 6098 milhões para 6323 milhões de dólares. É um crescimento de 4% em sequência, mas em termos homólogos, o resultado traduz um brilharete, com um crescimento de 134%, face aos 2700 milhões de receita do último quarto de 2017.

Incluindo as outras linhas de negócio (energia, baterias e serviços), a receita total ascende a 7225 milhões de dólares, uma subida de 400 milhões face aos 6824 milhões de dólares do trimestre anterior.

A margem desceu de 25,5% no terceiro trimestre de 2018 para 24,7%, traduzindo as dores de crescimento da empresa, que fez dois despedimentos no último ano – o mais recente anunciado em Dezembro – produzindo 91 mil carros no trimestre, dos quais 63.359 são Model 3, que irá chegar ao mercado europeu agora em Fevereiro.

Embora o mercado já esperasse mais um trimestre de lucros, atendendo aos indicadores que iam sendo libertados – e esse cifrou-se em 139 milhões de dólares (311 milhões no trimestre precedente) – este anúncio de resultados era bastante esperado porque dentro de um mês a Tesla vê vencer um empréstimo obrigacionista, com títulos convertíveis em acções, lançado em 2014, no valor de 920 milhões de dólares.

É a maior fatia de dívida cujo pagamento a Tesla alguma vez enfrentou. Mas de acordo com a carta, accionistas e investidores podem ficar descansados. “Temos dinheiro suficiente nas nossas mãos para liquidar as obrigações que vencem em Março de 2019”, lê-se na comunicação de resultados.

Contas feitas, a empresa vendeu cerca de 140 mil ​Model 3 nos EUA no ano de 2018, mais do que os 115 mil Lexus RX, que ficaram em segundo lugar, a grande distância do Audi Q5 e do Mercedes GLC que venderam cerca de 70 mil unidades cada um. A Tesla nota que assegura sozinha o crescimento no mercado doméstico dos veículos eléctricos, que ainda só vale 2% em volume, mas pela primeira vez o quarto trimestre de 2018 mostrou um nível de vendas dos 100% eléctricos acima das vendas dos híbridos nos EUA.

O que mostra que nos EUA, o veículo com propulsão eléctrica está a bater com relativa facilidade os antigos líderes nos segmentos de média-alta gama, com motor de combustão. Para 2019, a dúvida é se a Tesla consegue manter esta vantagem sem o crédito fiscal que o governo de Washington decidiu cortar em 50% este ano.

Até ao final de 2019, a Tesla espera ter o Model 3 construído também na China, na Giga Factory 3, que está em construção em Xangai. É um investimento elevado, algo a que a empresa já se tem habituado, e que é típico num construtor de carros fundado há apenas 15 anos. Em 2018, o investimento ascendeu a 2240 milhões de dólares.

Para satisfazer a procura interna e também os primeiros clientes europeus do Model 3, a fábrica de Freemont deverá crescer para uma produção semanal de 7000 unidades.