Kendall Jenner e outras modelos intimadas a divulgar negócios com Fyre Festival

As modelos que apareceram nos vídeos promocionais e que anunciaram o evento nas redes sociais estarão agora implicadas no processo judicial de falência do festival de música.

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YouTube, Fyre Festival

O Fyre Festival foi a maior festa que nunca aconteceu — a descrição de um dos dois documentários lançados recentemente a detalhar o fracasso da organização do evento, publicitado nas redes sociais como um festival de luxo exclusivo numa ilha privada. As modelos que apareceram nos vídeos promocionais e que anunciaram o evento nas redes sociais, nomeadamente Kendall Jenner e Bella Hadid, estarão agora implicadas no processo judicial.

Na segunda-feira, um juiz em Nova Iorque diferiu o pedido submetido pelo fundo que está a gerir o processo de falência do festival de música para obter informação sobre os negócios da empresa Fyre Media com terceiros, de acordo com o The Guardian. "Cada um dos examinandos é ou uma empresa ou indivíduo que prestou serviços promocionais, publicidade, publicações nas redes sociais, espectáculos musicais, suporte de logística, serviços de vendedores ou consultoria ao devedor em ligação à preparação para o festival", lê-se em documentos do tribunal, citados pela NBC News.

O administrador judicial do caso descobriu a existência de pagamentos que ultrapassavam os 5,2 milhões de dólares (aproximadamente 4,6 milhões de euros) pagos a diferentes entidades, sendo que das 24 pessoas em questão cada uma terá recebido não menos do que 90 mil dólares (cerca de 78,8 mil euros), escreve a Women’s Wear Daily (WWD). Este "teve de obter toda a informação relativa aos assuntos financeiros [da Fyre Media] através de terceiros", lê-se ainda nos documentos.

De acordo com a WWD, os documentos apresentados em tribunal indicam ainda que as modelos da agência IMG (que representa muitas daquelas que promoveram o evento) receberam mais de 1,2 milhões de dólares (cerca de 1 milhão de euros). Mais concretamente, Jenner terá recebido 275 mil dólares (240,8 mil euros) em troca de um único post a anunciar o lançamento dos bilhetes para o festival e a oferecer um código de desconto.

Segundo o Independent, a supermodelo terá recebido uma advertência da Federal Trade Commission — a agência norte-americana que regula o comércio —, por não ter divulgado o facto de que a publicação se tratava de um anúncio, conforme as leis em vigor. Este tipo de publicações promocionais é frequentemente assinalado nas redes sociais com hashtags como #ad ou #sponsored. Ainda na semana passada, 16 celebridades britânicas comprometeram-se formalmente a assinalar sempre que tiverem sido pagas para fazer uma publicação ou recebido qualquer produto que promovam nas suas contas nas redes sociais.

O Fyre Festival começou a ganhar visibilidade nas redes sociais, após a divulgação de um vídeo com algumas das modelos mais populares do momento, como Bella Hadid, Emily Ratajkowski, Hailey Baldwin e Alessandra ​Ambrosio. Entre imagens aspiracionais, prometia "um festival de música imersivo", com "dois fins-de-semana transformativos", "numa ilha remota e privada nas Exumas", nas Bahamas. Pouco ou nada disso se concretizou. Os convidados, que pagaram entre 1,2 e 100 mil dólares (mil e 87,6 mil euros), segundo a BBC, esperavam voar de jets privados e ficar alojados em instalações de luxo, mas depararam-se com uma realidade bem diferente.

O festival acabou por ser cancelado antes sequer de acontecer — mas não antes dos participantes chegarem à ilha nas Bahamas — e Billy McFarland, responsável pela organização, foi acusado de fraude e condenado a seis anos de prisão. Durante o tribunal, os procuradores afirmara que os investidores e clientes perderam uma quantia combinada de 26 milhões de dólares (perto de 22,8 milhões de euros), entre o desastre do festival e um outro esquema de venda de bilhetes montado depois por McFarland, segundo a NBC News.

Alguns dos habitantes e empresas locais que prestaram serviços saíram prejudicados, não tendo recebido a compensação que lhe tinha sido prometida. Maryann Rolle, uma das principais lesadas — e interveniente no documentário da Netflix — criou uma página na plataforma Go Fund Me, para tentar recuperar algum do dinheiro perdido e até à data já foram angariados mais de 210 mil dólares (183,9 mil euros).