Ryanair assegura 100% da companhia aérea de Niki Lauda

Transportadora aérea irlandesa comprou os 25% que ainda não detinha. Crescimento passa pela Laudamotion e pela polaca Ryanair Sun.

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O'Leary quer ver "como é que a Ryanair evolui como uma espécie de grupo de diferentes companhias aéreas". REUTERS/Yves Herman

A Ryanair já é dona de 100% da Laudamotion, a companhia aérea de baixo custo ligada ao ex-campeão de F1, Niki Lauda, segundo anunciou a empresa em comunicado. E é por aqui que passa uma das vias de crescimento do grupo.

Em Março do ano passado, o grupo irlandês assegurou 24,9% da transportadora, num negócio que já previa que a fasquia subisse para 75% pouco tempo depois, após o aval dos reguladores. Agora, foi a vez dos restantes 25% que estavam ainda nas mãos de Niki Lauda, e que permanecerá como presidente do conselho de administração. O valor do negócio, concretizado em Dezembro, não foi revelado.

Cerca de dois meses antes do acordo com a Ryanair, Niki Lauda tinha ganho a corrida pela companhia aérea austríaca (cujo nome era Niki), no meio de um processo de insolvência que abrangeu a Air Berlin, deixando para trás um dos maiores grupos do sector, a IAG (dona da British Airways e da Iberia).

Criada pelo antigo piloto de F1 em 2003, a partir do que era até esse momento a Aero Lloyd, a Lauda mudou de mãos em 2011, quando se juntou ao grupo da Air Berlin, controlado pela Etihad.

No início do ano passado, já com Niki Lauda de volta ao negócio, associado à Ryanair, foi anunciado que a estratégia para a Laudamotion passava por reforçar o número da frota de aviões e ter voos regulares e operações charter para destinos do Mediterrâneo ligados ao lazer (como a Grécia, o Sul de Espanha ou o Algarve, através do aeroporto de Faro).

Laudamotion prevê “um forte crescimento”

Agora, a Ryanair mostra que quer continuar a crescer através desta subsidiária do seu grupo. De acordo com o comunicado, no próximo Verão a frota será composta por 25 aviões, espalhados pelas suas quatro bases: Viena, Düsseldorf, Estugarda e Palma.

Em breve, diz a empresa, serão apresentadas vinte novas rotas, e está a iniciar processo de recrutamento de 400 trabalhadores, onde se incluem pilotos, pessoal de cabine e mecânicos.

No comunicado, o presidente executivo da Laudamotion, Andreas Gruber, afirma que “com o apoio da Ryanair” a transportadora prepara-se para ter “um forte crescimento nos próximos três anos” e atingir a fasquia dos 10 milhões de passageiros/ano. Actualmente, a Austrian Airlines, o seu maior concorrente no mercado de origem, transporta perto de 14 milhões.

A Laudamotion diz que o seu crescimento passa pela Áustria e pela Alemanha, mas também “por outros países”, e que no Inverno de 2019/2020 espera anunciar “pelo menos uma nova base”.

Aposta na Polónia

Em Julho do ano passado, o presidente executivo da Ryanair, Michael O’Leary, já tinha afirmado que queria que a Laudamotion e a Ryanair Sun – outra subsidiária do grupo, baseada na Polónia – crescessem “tão rápido quanto possível”.

Três meses mais tarde, o gestor destacou aos investidores, de acordo com a Reuters, que estas duas transportadoras iriam ser responsáveis por grande parte do crescimento do grupo de aviação. Isto num momento em que a Ryanair está a reconhecer os sindicatos, e respectivas reivindicações, nos mercados onde opera.

A 18 de Janeiro, a transportadora aérea irlandesa reviu em baixa, pela segunda vez, a sua perspectiva de lucros, justificando-se com factores como os preços das tarifas terem ficado abaixo do previsto e a existência de excesso de oferta. Isto, acrescentou O’Leary, irá empurrar alguns concorrentes para fora do mercado.

Em Setembro do ano passado, a Ryanair anunciou que ia deixar de ter bases na Polónia, e que ia oferecer emprego aos seus trabalhadores através da Ryanair Sun. No caso da Ryanair Sun, e de acordo com um artigo da Reuters publicado em Dezembro, os funcionários trabalham por conta própria e não estão sindicalizados, o que é permitido pela lei local. Ao nível dos tripulantes de cabine já foi formado um sindicato, o CWR, mas que, segundo a Reuters, não é reconhecido enquanto tal pela transportadora.

Para já, a Polónia é o único mercado onde a Ryanair Sun está presente, e o maior da Europa de Leste, mas está também, tal como a Laudamotion, com uma estratégia de reforço (tinha uma frota de cinco aviões que passará para vinte este ano). De acordo com a Reuters, a Ryanair identificou a Europa Central e a Europa do Leste como mercados-chave para o crescimento que disputará, apoiada na Ryanair Sun, com a húngara Wizz.

Esta segunda-feira, O'Leary afirmou, citado pela Reuters, que a Ryanair poderá adquirir, nos próximos anos, uma ou duas transportadoras de dimensão idêntica à Laudamotion e à Ryanair Sun. Para já, diz, gostaria de ver "como é que a Ryanair evolui como uma espécie de grupo de diferentes companhias aéreas".