CDS quer distanciar-se do PSD e estar ao lado do Presidente

Críticos de Assunção Cristas querem que partido seja ouvido sobre apoio a Marcelo.

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Assunção Cristas e Nuno Magalhães nas jornadas do CDS LUSA/HUGO DELGADO

No arranque do ano eleitoral de 2019, a mensagem do CDS-PP está desenhada: críticas ao Governo e distanciamento do PSD. Nas primeiras jornadas parlamentares do ano, já em clima da pré-campanha, o partido de Assunção Cristas assume-se como a “oposição liderante” e ainda como apoiante de uma eventual recandidatura de Marcelo Rebelo de Sousa à Presidência da República.

A posição de apoio foi assumida no arranque das jornadas, em Braga, por Assunção Cristas, no final de uma vista a uma empresa têxtil, em Guimarães, em resposta à porta aberta deixada por Marcelo Rebelo de Sousa de voltar a ser candidato. “Obviamente quem apoiou à primeira apoia à segunda”, disse Assunção Cristas, tornando­-se assim a primeira líder partidária a declarar apoio ao eventual candidato a Belém. Mais cauteloso foi Rui Rio que, enquanto líder do PSD, observou apenas que é normal os Presidentes candidatarem-se a um segundo mandato.

Dentro do CDS, a declaração de apoio a Marcelo não é pacífica. Raul Almeida, conselheiro nacional e crítico da liderança de Assunção Cristas, lamenta ao PÚBLICO a declaração da líder do CDS “sem falar com o partido e sem que o candidato já tenha anunciado” a intenção de continuar em Belém. Apesar de fazer uma “avaliação muito positiva do mandato” de Marcelo Rebelo de Sousa, Raul Almeida defende que o partido “não pode ficar refém do primeiro apoio” e que, “como instituição, esse apoio tem de ter no mínimo uma consulta e validação no conselho nacional”. Na mesma linha, Abel Matos Santos, porta-voz da tendência Esperança em Movimento, corrente interna do CDS, sustenta que "é imprescindível" consultar os órgãos do partido e que a declaração de apoio "deve obedecer a critérios rigorosos de avaliação do mandato prévio". 

Desafio sobre justiça

Sempre acompanhada pelo cabeça de lista do CDS às europeias, o eurodeputado Nuno Melo, e dos restantes três candidatos, Assunção Cristas visitou as instalações da Lameirinho, percorreu salas com maquinaria pesada e só na costura encontrou mais trabalhadoras com quem trocou algumas palavras.

No final da visita, a mensagem era crítica para o Governo e sem quaisquer comentários para a visita de Pedro Santana Lopes, líder da Aliança, ao bairro da Jamaica, no Seixal. “Há um arrefecimento da economia e não há nenhuma política do Governo para estimular o crescimento económico”, disse.

Acompanhada depois por alguns deputados, a líder do CDS seguiu para o Hospital de Braga, uma Parceria Público-Privada que está em risco de terminar. Aqui, depois de se reunir com a administração, aproveitou para criticar a “embirração ideológica” do Governo de querer pôr fim ao contrato com a unidade de saúde que tem “bons resultados” e com a qual o Estado “poupa dinheiro”.

O Governo viria novamente a ser o alvo das críticas no discurso de abertura das jornadas, que decorreu já num hotel em Braga. Foi o líder da bancada, Nuno Magalhães, que puxou pelo tema da segurança para condenar a “serenidade” do ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, após os actos de vandalismo nas últimas noites nos arredores de Lisboa e Setúbal. Nuno Magalhães acusou os partidos que apoiam o Governo de serem “complacentes” com “esses actos”, em relação aos quais criticou a falta de “medidas firmes” do Governo.

Se as críticas à "geringonça" foram claras, já o distanciamento face ao PSD ficou implícito. Nuno Magalhães vai desafiar os restantes partidos a assumir uma posição sobre medidas para o pacto da justiça, depois de as propostas dos centristas – em resposta a um apelo do presidente da República - terem ficado paradas na comissão há nove meses, à espera de projectos de outras bancadas. O líder da bancada do CDS não referiu, mas o PSD tentou um pacto de justiça, fora do Parlamento, mas a proposta de Rui Rio encontrou pouco eco nos restantes partidos.

Já quase em jeito de balanço da sessão legislativa, Nuno Magalhães apontou o exemplo da justiça – em que o CDS foi o único a apresentar propostas no âmbito de um pacto – mas também a marcação da agenda com o estado das infra-estruturas, o estatuto fiscal do interior, a discussão sobre demografia e ainda a realização de um debate de actualidade sobre a Caixa Geral de Depósitos. O líder da bancada centrista conclui: “Temos liderado a oposição”.

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