É oficial: Papa vem a Portugal em 2022 para a Jornada Mundial da Juventude

A realização do encontro em Portugal já era esperada, mas só foi oficializada neste domingo, no Panamá. O evento acontece de três em três anos e acolhe mais de um milhão de jovens de todo o mundo.

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O Papa Francisco acena aos peregrinos na Cidade do Panamá durante as Jornadas Mundiais da Juventude LUSA/PAULO NOVAIS

No último dia da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que decorre desde terça e termina este domingo no Panamá, foi anunciado que Portugal receberá a próxima jornada, em 2022 – que contará com a presença do Papa Francisco, que virá pela segunda vez a Portugal: a primeira enquanto “peregrino”, como se designava, e esta segunda a título oficial.

O anúncio foi feito este domingo na Cidade do Panamá. Numa primeira reacção, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou que a escolha de Lisboa é uma "vitória da língua portuguesa e da Lusofonia". Por seu turno, o cardeal-patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, considerou que a decisão vem cumprir um sonho "de há muito tempo" da Igreja Católica em Portugal.

“Estou muito feliz, estamos muito felizes. Valeu a pena! Lá estaremos em 2022”, disse Marcelo. “Esperávamos, desejávamos, conseguimos”, acrescentou.

O chefe de Estado acrescentou que a realização do evento é uma “vitória de Portugal, do povo católico português, vitória da Igreja Católica, vitória também do episcopado”.

Decisão era esperada

Ainda que a confirmação oficial só tenha chegado este domingo, o encontro em Portugal era já tido como certo desde Dezembro, altura em que fontes eclesiásticas garantiam ao PÚBLICO a realização do evento em solo nacional, numa das zonas limítrofes da cidade de Lisboa, possivelmente no Parque do Tejo e do Trancão. Era ainda referido que a delegação do Patriarcado de Lisboa já estava a trabalhar nos preparativos do evento, em articulação com a Câmara de Lisboa.

O Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa, católico assumido, encontra-se no Panamá para a jornada — o líder português chegou ao país da América Central na sexta-feira e tinha na agenda encontros com jovens peregrinos portugueses e com o seu homólogo panamiano, Juan Carlos Varela. O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, e o secretário de Estado da Juventude, João Rebelo, também se encontram no Panamá.

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Há ainda seis bispos portugueses entre os 480 pontífices internacionais presentes no encontro que juntou entre 100 a 200 mil jovens vindos de 155 países, incluindo 300 portugueses.

“Seria uma magnífica notícia para Portugal, mas vamos esperar se se confirma, porque há mais candidatos”, acautelava Marcelo Rebelo de Sousa em Dezembro, antes de ser feito o anúncio oficial. Além de Portugal, estavam a concurso para a jornada de 2022 a República Checa e a Suécia. Segundo o Jornal de Notícias, a fuga de informação da visita do Papa a Portugal – que dava como certa a visita do Papa a Portugal antes de ser comunicada oficialmente – incomodou os responsáveis da Igreja Católica e poderia até pôr em causa a realização da jornada em Portugal.

O processo de escolha dos países anfitriões é demorado e preparado com anos de antecedência. Há já dez anos que Portugal tenta acolher a Jornada da Juventude; o objectivo inicial apresentado pela Conferência Episcopal Portuguesa ao Conselho Pontifício para os Leigos era fazer coincidir o encontro com o centenário das aparições em Fátima, em 2017. A candidatura tardia e a proximidade com Espanha, que recebeu a jornada em 2011, adiaram essa possibilidade.

Segundo o site religioso Religionline, o cardeal-patriarca de Lisboa oficializou o pedido para receber a JMJ no final de 2017, mas Portugal está há anos em cima da mesa, tendo a hipótese sido discutida em várias reuniões do Conselho Pontifício para os Leigos do Vaticano.

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A escultura da "Virgem Peregrina de Fátima" datada de 1947 seguiu para o Panamá. Não saía de Portugal desde 2000 BIENVENIDO VELASCO/EPA

Encontro deverá trazer milhares de pessoas a Portugal

O encontro da JMJ foi criado pelo Papa João Paulo II e acontece desde 1986 de três em três anos e nunca teve Portugal como anfitrião. Se o Papa Francisco ainda for papa em 2022, será a quarta vez que dirige o evento, depois de o ter feito no Panamá (2019), na Polónia (2016) e no Rio de Janeiro (2013). Antes disso, o seu antecessor Bento XVI, que abdicou do cargo de Papa em 2013, presidiu o encontro em Madrid (2011), na Austrália (2008) e na Alemanha (2005).

O evento deverá trazer milhares de pessoas a Portugal: em Madrid, 2011, o encontro juntou mais de um milhão e meio de visitantes, cenário que poderá repetir-se em Portugal. No Brasil, foram mais de três milhões de pessoas. Durante a visita do Papa a Portugal, em 2017, o presidente da Câmara de Ourém, Paulo Fonseca, estimava a presença de “um milhão de pessoas” nos dias 12 e 13 de Maio.

Na sua viagem de 9500 quilómetros do Vaticano para o Panamá, o Papa Francisco sobrevoou oito países, incluindo Portugal, tendo dirigido uma mensagem aos líderes dos territórios que sobrevoou. Numa mensagem dirigida a Marcelo Rebelo de Sousa, Francisco garantiu que os portugueses estão sempre presentes nas suas orações e abençoou o povo português com alegria e paz. Antes de chegar ao Panamá, o único papa a visitar o país fora João Paulo II, em Março de 1983.

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HENRY ROMERO/REUTERS

Jornada com mensagem política

A JMJ é considerada o maior evento organizado pela Igreja Católica. "Mais do que uma grande festa da juventude católica mundial, é uma festa das nações", diz à Lusa o angolano António dos Santos, de 41 anos, que está no Panamá e já esteve também na JMJ de Madrid, Colónia e Cracóvia. "Acabamos por representar os nossos países. A JMJ é a festa das festas porque é maior que os Jogos Olímpicos, que os mundiais de futebol. Não há festa que se compare com este encontro", conclui. 

Os jovens presentes no encontro pediram aos políticos que olhassem para o seu exemplo, “em que são todos iguais”. “Não importa o dinheiro, a influência política, os recursos, todos somos diferentes, mas todos somos iguais”, disse à Lusa Juan Miguel, panamiano de 25 anos. A norte-americana Meiling Familo defendeu que "não devia haver linhas a dividir" os povos e, referindo-se ao muro que o Presidente norte-americano, Donald Trump, quer construir na fronteira com o México, a peregrina disse "acreditar que cada nação tem o direito de se defender, porque precisa de ordem". "Não estão a pensar nas pessoas, mas nos políticos", vincou.