Papa pode dar a Loures o "milagre" de tirar contentores das margens do Tejo

Ir de bicicleta sempre à beira-mar de Vila Franca de Xira ao Guincho? Vai ser possível, diz Bernardino Soares, que aplaude anúncio das Jornadas Mundiais da Juventude 2022.

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daniel rocha/ arquivo

Vinte anos depois, a zona do rio Trancão que faltava pode ser requalificada. Se, com a Expo 98, foi possível passar a usufruir da zona ribeirinha de Lisboa até ao Trancão (que antes cheirava mal e era sinónimo de lixeira), com as Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ) de 2022 a zona norte do rio, já no concelho de Loures, pode dar origem a um novo parque ambiental, acabando de vez com as paredes de contentores e tornando acessível o rio. É esta a expectativa do presidente da Câmara de Loures, Bernardino Soares, que aplaude o anúncio feito este domingo pelo Papa Francisco, no Panamá.

"É bom para o país, é bom para a zona de Lisboa e de Loures", afirmou ao PÚBLICO. As JMJ vão realizar-se no Parque Tejo (concelho de Lisboa) e na margem esquerda do rio Trancão (freguesia da Bobadela, em Loures). Se, do lado de Lisboa, o terreno já é aprazível, fruto da requalificação operada nos anos 1990, do lado de Loures o que vemos actualmente são terrenos ao abandono, mato e contentores. Segundo Bernardino Soares, são terrenos privados, da Petrogal (que albergaram os antigos depósitos de combustíveis) e da Infra-Estruturas de Portugal (onde está o terminal de carga da CP) e tem sido "difícil" alterar o estado de coisas.

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"Estamos disponíveis para encontrar uma solução mais a montante do rio, não tão perto das zonas urbanizadas, onde vivem 50 mil pessoas, para transferir o terminal", explica o autarca, lembrando que, desde que tomou posse, defende a criação de um parque ambiental na zona ribeirinha da Bobadela. "É tempo de se deixar de olhar para esta zona como um sítio onde se depositam coisas que já não podiam estar em Lisboa", diz.

O Papa vai ajudar literalmente a CDU a cumprir um antigo sonho: expulsar (ou diminuir drasticamente) os contentores e mudar a paisagem ribeirinha. Se esse projecto antigo for para a frente, será então possível criar um "corredor pedonal que ligue Vila Franca de Xira até ao Guincho", diz Bernardino Soares. E as duas cidades vizinhas, Lisboa e Loures, podem ganhar ainda uma nova ponte sobre o rio Trancão. Na autarquia comunista até já se brinca que, se o Papa conseguir tirar dali os contentores, merece uma medalha.

Há vários anos que a câmara tem investido na limpeza do rio Trancão, na limpeza das margens e na prevenção de cheias. Em 2017 avançou mesmo com um projecto de reabilitação da zona envolvente do curso de água ao longo de dez quilómetros, entre Bucelas e a fronteira do concelho de Mafra. Recentemente, numa reunião da Assembleia Municipal de Lisboa, o vereador José Sá Fernandes, responsável pela Estrutura Verde da cidade, elogiou o projecto de Loures para a foz do Trancão e prometeu colaboração.

O presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, integrou a comitiva portuguesa que foi ao Panamá, para além de uma série de bispos e do Presidente da República. A Câmara de Loures não se fez representar. "Não fomos convidados nesse sentido", explicou Bernardino Soares, assegurando que não será por isso que deixará de ter "total disponibilidade e entusiasmo" com a vinda das JMJ.

A zona total na Bobadela que as Jornadas vão ocupar ainda não está definida. Do lado de Lisboa, o terreno disponível está confinado pela construção de prédios de habitação e o colégio Pedro Arrupe. Geralmente, as JMJ mobilizam entre um a três milhões de pessoas.

Notícia corrigida: o mapa mostra agora os limites correctos dos concelhos de Lisboa e Loures

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