Opinião

Projeto-Piloto para promoção de atividade física no SNS já arrancou

A data de 24 de Janeiro de 2019 marcou o início do projeto-piloto que, ao longo dos próximos 12 meses, vai avaliar os ganhos em saúde para a população e a custo-efetividade do novo modelo de promoção de atividade física no Serviço Nacional de Saúde.

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Rui Gaudêncio

O ano arrancou da melhor forma no que toca à promoção da atividade física em Portugal, com a realização da cerimónia, no passado dia 24 de janeiro, que marcou o início do projeto-piloto que irá testar um novo modelo de promoção de atividade física no Serviço Nacional de Saúde (SNS). Pretende-se deste modo reforçar a integração da atividade física na prestação de cuidados de saúde, nomeadamente ao nível dos cuidados de saúde primários, melhorar a formação e capacitação dos profissionais de saúde para promover a atividade física e reforçar a articulação dos cuidados de saúde com os promotores de atividade física na comunidade.

A cerimónia pública, na qual foi também apresentada a visão e atividades em curso dentro dos principais eixos estratégicos do Programa Nacional para a Promoção de Atividade Física da Direção-Geral da Saúde, assinalou o fecho do primeiro de dois dias de formação a mais de cinquenta profissionais que estarão diretamente envolvidos na implementação e avaliação do projeto-piloto.

O principal objetivo deste projeto-piloto, previsto no Despacho nº 8932/2017, de 10 de outubro, que envolverá  14 unidades de cuidados de saúde primários, de Norte a Sul do país, situadas nos Concelhos de Condeixa, Leiria, Lisboa, Loulé, Maia, Oeiras, Portimão, Porto, Redondo, Soure, Torres Vedras, Valongo e Vila Franca de Xira, uma unidade hospitalar do Centro Hospitalar Vila Nova de Gaia/Espinho, e mais de 3000 utentes ao longo de 12 meses, será o de avaliar os ganhos em saúde para a população e o custo-efetividade do novo modelo de promoção de atividade física no SNS.

Uma das peças-chave neste modelo é a criação de uma consulta de atividade física nos cuidados de saúde primários, que terá como destinatários, nesta fase piloto, utentes com diabetes tipo 2 e depressão, que serão encaminhados pelo seu médico de família e acompanhados ao longo de seis meses. Esta consulta multidisciplinar, coordenada por um médico com formação em medicina desportiva em colaboração estreita com um profissional de exercício físico, que poderá ainda contar, consoante as necessidades e recursos locais, com o envolvimento de nutricionistas, enfermeiros, fisioterapeutas e psicólogos, visará o aumento da atividade física em utentes com doença crónica, através do estabelecimento de um plano individual de atividade física que o utente poderá seguir em autonomia, ou encaminhamento para participação num programa de exercício físico estruturado e supervisionado.

Além da consulta de atividade física, que será implementada, nesta fase piloto, apenas nas unidades de saúde abarcadas pelo projeto, este modelo engloba também a realização de aconselhamento breve sobre atividade física por todos os profissionais de saúde e para todos os utentes sem contraindicações para a prática, com recurso a ferramentas informáticas desenvolvidas para o efeito, bem como o estabelecimento de uma melhor articulação entre o SNS e os recursos promotores de atividade física na comunidade, tais como programas de atividade física promovidos pelos municípios e juntas de freguesia e equipamentos existentes, como por exemplo, ciclovias e vias pedonais.

Os sistemas de saúde têm um papel fundamental e reconhecido para a promoção da atividade física e há já diversos exemplos internacionais que o comprovam. A avaliação sistemática e realizada por rotina dos níveis de atividade física, bem como o aconselhamento breve representam respostas primordiais a este nível, visando tornar a população, no seu todo, mais ativa. A criação de uma consulta nos cuidados de saúde primários dedicada à promoção de atividade física pretende reforçar a capacidade de resposta do SNS para utentes cuja situação clínica mais beneficie de uma recomendação específica e estabelecimento de um plano de atividade física personalizado, que poderá também passar pelo encaminhamento para os programas que ofereçam uma resposta adequada e segura em função da situação clínica do utente.

Sendo a inatividade física um dos fatores de risco modificáveis com maior peso na carga das doenças crónicas não transmissíveis, o passo que foi simbolicamente assinalado na cerimónia do passado dia 24 constitui um marco histórico na abordagem ao seu tratamento, controlo e prevenção. Estaremos, dentro de aproximadamente ano e meio, em posição de perceber exatamente qual o impacto e contributo deste modelo de promoção da atividade física no SNS na resposta aos desafios colocados pelo envelhecimento da população, mudanças nos padrões de doença e custos cada vez mais elevados dos cuidados de saúde, bem como as suas potencialidades de alargamento a outras unidades de saúde e estabelecimentos hospitalares.

Sobre o Projeto-piloto para a promoção da atividade física no SNS:

O que é?

- Consulta de atividade física para utentes com diabetes tipo 2 e depressão

- Aconselhamento breve sobre atividade física para todos os utentes

Quando?

Arrancou a 24 de janeiro de 2019 e tem a duração de 1 ano

Onde se realizam?

- 14 unidades de cuidados de saúde primários de norte a sul de Portugal

- 1 Hospital do Centro Hospitalar Vila Nova de Gaia/Espinho

Quem está envolvido?

Mais de 100 profissionais de saúde e mais de 3.500 utentes

Quais são os objetivos?

Avaliar os ganhos em saúde para a população e a custo-efetividade da promoção de atividade física no SNS