Morreu o presidente da Associação dos Deficientes das Forças Armadas

José Arruda participou, em 1973, no movimento de apoio à criação do estatuto do deficiente das Forças Armadas.

À direita, o Comendador José Arruda
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À direita, o Comendador José Arruda LUSA/TIAGO PETINGA

O presidente da Associação dos Deficientes das Forças Armadas (ADFA), José Arruda, morreu neste sábado no Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa, anunciou a estrutura associativa.

Em comunicado, a ADFA manifesta "enorme mágoa e profunda consternação" pelo "falecimento inesperado", esta tarde, do comendador José Eduardo Gaspar Arruda.

A ADFA salienta que José Arruda se entregou "abnegadamente à causa da dignidade" dos deficientes das Forças Armadas e dos deficientes portugueses em geral, servindo a República "com a elevação e a responsabilidade de um cidadão íntegro, dedicado e exemplar".

"Sublinhamos e homenageamos o homem de Abril, que viveu na plenitude os valores da democracia, em liberdade e solidariedade", lê-se no comunicado.

Marcelo lamenta morte

O chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, lamentou hoje a morte do presidente da direcção nacional da Associação dos Deficientes das Forças Armadas (ADFA), José Arruda, elogiando-o pela sua dedicação "altruísta e meritória" a esta causa.

Numa nota publicada no site da Presidência da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que é Comandante Supremo das Forças Armadas, lembra que José Arruda "foi condecorado pelo Estado português com a Ordem do Mérito, grau de comendador, e com o grau de grande-oficial da Ordem do Infante D. Henrique" — respectivamente, em 2004 e 2016, pelos seus antecessores Jorge Sampaio e Cavaco Silva.

"O comendador José Eduardo Gaspar Arruda assegurou de uma forma extremamente dedicada, altruísta e meritória a reafirmação dos direitos à recuperação moral e material dos deficientes das Forças Armadas, numa permanente defesa dos valores da civilização, em prol da dignificação do ser humano, da justiça social e promoção da liberdade", escreve o Presidente da República.

Marcelo Rebelo de Sousa "lamenta a sua morte e envia as mais sentidas condolências à família, aos amigos, à ADFA e às Forças Armadas".

José Arruda nasceu em Moçambique em 10 de Março de 1949, desenvolveu uma carreira de atleta até integrar o serviço militar obrigatório e foi ferido, em 1971, durante a guerra colonial, "acidente do qual resultou a cegueira e a amputação o membro superior esquerdo".

Em 1973, durante a permanência no Hospital Militar Principal, participou no movimento de apoio à criação do estatuto do deficiente das Forças Armadas, tendo posteriormente, em 1974, participado na primeira assembleia Geral da recém-criada Associação dos Deficientes das Forças Armadas, que surgiu na sequência da Revolução do 25 de Abril.