PSD-Açores quer Mota Amaral na lista para o Parlamento Europeu

Direcção regional do partido convidou histórico social-democrata para ser candidato nas europeias.

Mota Amaral no conselho nacional extraordinário do PSD, no Porto, no dia 17
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Mota Amaral no conselho nacional extraordinário do PSD, no Porto, no dia 17 Nelson Garrido

O PSD-Açores vai indicar João Bosco Mota Amaral para integrar a lista do partido ao Parlamento Europeu. O convite ao antigo presidente da Assembleia da República, sabe o PÚBLICO, foi feito esta semana e o histórico político social-democrata pediu alguns dias para reflectir.

O partido está convencido de que a resposta será positiva, o que marcará o regresso à política activa de uma figura que entre a presidência do governo regional açoriano, a bancada social-democrata na Assembleia da República e a cadeira da presidência do Parlamento tem uma carreira pública de 46 anos.

O convite a Mota Amaral, que é presidente honorário do PSD-Açores, tem um duplo objectivo. Por um lado, explica fonte social-democrata, é uma resposta à actual conjuntura europeia. Numa altura em que em Bruxelas se negoceia o quadro financeiro plurianual, discute-se a reforma da Política Agrícola Comum e o futuro do Posei (designação do sub-programa comunitário para esta região autónoma), o PSD açoriano teme que o arquipélago possa ser prejudicado.

“A solidariedade da Europa, fundamental para o desenvolvimento dos Açores nas últimas décadas, pode estar comprometida face à incerteza em torno da saída do Reino Unido”, aponta ao PÚBLICO fonte social-democrata, que não exclui o cenário de “eventuais” cortes nos fundos estruturais destinados à região autónoma. “Trata-se de um momento decisivo”, sublinha a mesma fonte, considerando que Mota Amaral é o homem certo para contrariar as indefinições que atravessam a Europa e defender os Açores. “É um profundo conhecedor das políticas europeias para as regiões ultraperiféricas. Tem uma comprovada capacidade negocial, e um elevado prestígio político”, elenca o partido.

Alexandre Gaudêncio, líder do PSD-Açores, admite que a escolha de Mota Amaral tem outro objectivo: pressionar a direcção nacional do partido para dar à região um lugar elegível na lista para as europeias. “É uma escolha consensual a nível regional, e um político de enorme prestígio que merece um lugar de destaque na lista”, argumenta ao PÚBLICO, lembrando que a composição final da lista é da responsabilidade de direcção nacional do partido.

Os Açores, tal como a Madeira, sempre estiveram representados no Parlamento Europeu, pois tem existido esse entendimento, tanto no PSD como no PS, de colocar os nomes indicados pelas regiões autónomas em lugares elegíveis. Nas últimas eleições, Sofia Ribeiro foi o nome indicado pelo PSD-Açores, mas a eurodeputada já tinha anunciado que não se recandidatava, justificando a decisão com “imperativos éticos” por ter apoiado o candidato derrotado nas eleições internas do PSD açoriano, em Outubro do ano passado.

Abriu-se assim a porta para a candidatura de Mota Amaral, que, a confirmar-se, será o regresso em alta do político que ajudou a fundar o PPD e chefiou o governo açoriano durante 19 anos. Em 2015 saiu a contragosto de São Bento, quando a liderança regional do partido, então encabeçada por Duarte Freitas, decidiu renovar a lista de candidatos a deputados.

Tal como nos Açores, na Madeira outro histórico pode estar de regresso. O nome de Alberto João Jardim tem sido falado insistentemente para o Parlamento Europeu. O próprio já o negou – ao PÚBLICO, chegou a ironizar com essa possibilidade com a celebre frase de Marcelo Rebelo de Sousa“Nem que Cristo desça à Terra” –, mas, desde então, foi ao congresso regional do PSD-Madeira e mostrou-se disponível para ajudar o partido. Resta saber até onde vai dessa disponibilidade.