O software português que chegou primeiro a Hollywood e só depois aos investidores

O Sound Particles, um programa para profissionais de som, recebeu um investimento de 400 mil euros de capital de risco.

Nuno Fonseca, fotografado em 2017
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Nuno Fonseca, fotografado em 2017 Nuno Ferreira Santos

Começou por ser um hobby de um professor do ensino superior. Foi depois adoptado por grandes produções de Hollywood. Em 2016 tornou-se uma empresa. Agora, já com dez pessoas a trabalhar, centenas de clientes e reconhecimento no meio, recebeu o primeiro investimento de risco.

"Quando se trabalha em tecnologia de ponta, como é o nosso caso, ou crescemos, ou morremos”, explicou ao PÚBLICO o criador do Sound Particles, Nuno Fonseca, que antes de se dedicar a tempo inteiro ao projecto dava aulas no Instituto Politécnico de Leiria. “A razão para este investimento é precisamente acelerar o desenvolvimento de novos produtos, aumentando a nossa posição no mercado.” 

A empresa, que tem sede em Leiria, recebeu 400 mil euros de investimento, numa ronda liderada pelo Indico Capital Partners, um fundo de capital de risco português lançado recentemente e que pretende investir 46 milhões de euros em startups tecnológicas da Península Ibérica. Na ronda participou também a portuguesa REDangels. Em comunicado, os novos investidores dizem que querem “começar a preparar a abordagem aos grandes mercados de videojogos e da realidade virtual”.

O Sound Particles é dirigido a profissionais de som. Permite aos utilizadores criarem produções sonoras, atribuindo sons diferentes a milhares de partículas, que podem ser distribuídas por um espaço tridimensional. As partículas podem também ser agrupadas em conjuntos, e podem comportar-se de forma coordenada ou ter comportamentos com alguma aleatoriedade. Foi concebido para cenas em que múltiplos sons se cruzam, como tempestades, batalhas medievais e corridas de naves.

O programa de computador tornou-se conhecido no meio, conseguindo depois disso uma grande cobertura mediática. Foi usado em filmes como Aquaman, Carros 3 e Batman versus SuperHomem, entre outros títulos, bem como na série televisiva Star Trek: Discovery e em videojogos.

Uma licença para usar o Sound Particles custa 249 euros e, de acordo com o criador, o programa tem cerca de 600 clientes. A empresa vende também outro software de som.

 “O que temos neste momento é uma tecnologia de nicho de mercado, mas a nossa visão é muito mais abrangente”, disse Nuno Fonseca. “Queremos mudar a forma como se faz som para cinema, e para implementar essa visão, são necessários muitos recursos.”