Fitch deve manter rating de Portugal tendo em conta perspectiva estável

Agência fará a primeira revisão sobre Portugal este ano no dia 24 de Maio. "Já tínhamos antecipado um abrandamento na economia da zona euro e na economia portuguesa", afirma o responsável da Fitch sobre o mercado nacional.

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Fitch diz que boa conjuntura no mercado de emprego vai ajudar ao crescimento do PIB Ricardo Silva

A Fitch deverá manter o rating de Portugal, face à perspectiva (outlook) estável, segundo Douglas Winslow, director de ratings soberanos da agência de notação financeira.

No final de Novembro, a agência manteve a nota 'BBB' para a dívida pública portuguesa, o que a mantém na categoria de investimento, assim como preservou a perspectiva estável.

"A perspectiva (outlook) estável indica que não há uma possibilidade elevada de alteração de rating sem que aconteça algo inesperado", afirmou o responsável à agência Lusa, à margem de uma conferência da Fitch, que decorreu em Lisboa.

Winslow recordou que no final de Novembro já tinham sido identificados os riscos relacionados com a saída do Reino Unido da União Europeia ("Brexit") e a maior instabilidade política. Já "tínhamos antecipado um abrandamento na economia da zona euro e na economia portuguesa", acrescentou.

Em Novembro, a Fitch referia que a nota estava a reflectir a melhoria dos indicadores macroeconómicos e orçamentais, mas também os elevados níveis de dívida pública e dívida externa.

A agência considerou que a dívida pública vai continuar a sua trajectória descendente no médio prazo e deverá situar-se em 121,5% do Produto Interno Bruto (PIB) no final de 2018 e atingir os 95% em 2027.

Também previu uma desaceleração económica nos próximos dois anos.

Agora, Winslow referiu que a descida era justificada em parte com as diminuições nas exportações. Mas, há aspectos que suportam a economia e não haverá uma "redução grande" no crescimento do PIB, apontou, recordando as perspectivas de uma expansão de 1,5%.

Como aspectos de suporte, o especialista enumerou as dinâmicas do mercado laboral, nomeadamente a grande redução do desemprego, que deve continuar, com a média deste ano a dever situar-se nos 6,4% passando a 6% em 2020.

Estas estimativas comparam com os 7,2% do ano passado, lembrou Winslow, referindo que o mercado laboral "vai ajudar a suportar o consumo privado" e de, uma forma geral, continuar a levar a um crescimento do PIB.

"As exportações têm sido uma história de sucesso em Portugal e, durante vários anos, suportaram o crescimento do PIB. Em 2018, o crescimento do PIB teve uma ampla base, com o consumo privado, investimento e exportações a contribuírem" para essa subida, referiu.

Assim, um ambiente mais difícil de exportações torna-se num "desafio extra" e numa parte da justificação para a desaceleração do crescimento, mas face aos vários factores de suporte económico a Fitch deve manter as previsões feitas em Novembro.

O especialista lembrou que a avaliação é feita num ciclo, num ponto de vista de três a cinco anos e que é levada em consideração a tendência.

Este ano, a Fitch fará a primeira revisão sobre Portugal no dia 24 de Maio e a segunda em 22 de Novembro.