Porto desperdiça 14 mil toneladas de comida por ano

A redução do desperdício alimentar ajudaria a resolver problemas de saúde pública como a desnutrição.

Nos próximos 30 anos o número de mortes devido a factores de produção industrial de alimentos será o dobro
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Nos próximos 30 anos o número de mortes devido a factores de produção industrial de alimentos será o dobro Miguel Manso

Cerca de 14 mil toneladas de comida são desperdiçadas todos os anos no Porto, sendo necessário expandir os programas de prevenção de resíduos alimentares, defende um relatório que será apresentado esta quinta-feira no Fórum Económico de Davos.

O documento, elaborado pela Fundação de defesa da economia circular Ellen MacArthur, com o apoio da Fundação Gulbenkian, focou-se em quatro cidades como exemplo para uma possível revolução alimentar.

Dedicando o estudo às cidades do Porto, Bruxelas, Guelph e São Paulo, o relatório defende que, em 2050, será nas cidades "que se consumirão 80% dos alimentos produzidos em todo o mundo", o que "lhes confere o poder de conduzir a mudança para este sistema saudável".

Como proposta de resolução do problema, o relatório avança um sistema alimentar circular e regenerativo para as cidades.

No caso do Porto, o estudo recomenda uma maior colaboração entre os vários municípios da área metropolitana, considerando que isso "poderá levar a um melhor aproveitamento dos alimentos".

O relatório concluiu que "é possível melhorar e expandir ainda mais os programas existentes de prevenção de resíduos alimentares", como as iniciativas Refood e Fruta Feia.

Para os investigadores, se metade do desperdício alimentar fosse evitado, a área metropolitana do Porto pouparia mais de 80 milhões de euros, dos quais quase dez milhões só na cidade do Porto.

Além disso, adianta, a redução dos impactos negativos para a saúde causados pela produção e desperdício de alimentos ajudaria a resolver problemas como a desnutrição e evitaria a emissão de 92 mil toneladas de gases com efeito de estufa naquela área.

O relatório da Fundação Ellen MacArthur — criada em 2010 para acelerar a transição para a economia circular — conclui que cinco milhões de pessoas por ano vão morrer devido a danos causados pela produção industrial de alimentos até 2050.

Segundo o documento, nos próximos 30 anos o número de mortes devido a factores de produção industrial de alimentos será o dobro das causadas por obesidade e quatro vezes o número de mortes em acidentes de viação actualmente.

Hoje em dia, adianta o estudo, a produção de alimentos é responsável por quase um quarto das emissões de gases com efeito estufa. Para resolver o problema, é preciso um sistema alimentar circular e regenerativo para as cidades, defende.