PS acusa Bloco de "acirrar ânimos" e perturbar acção da polícia no caso do bairro da Jamaica

Presidente da bancada e do Partido Socialista aponta o dedo aos dirigentes bloquistas que se manifestaram sobre os casos de violência desde domingo.

Hortensio Coxi, um dos moradores ferido e que foi detido no dia 20 por ter atirado pedras aos agentes.
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Hortensio Coxi, um dos moradores ferido e que foi detido no dia 20 por ter atirado pedras aos agentes. daniel rocha

O presidente do PS não esteve com meias palavras: Carlos César acusou o Bloco de procurar "acirrar ânimos" no caso de violência que ocorreu no bairro da Jamaica no fim-de-semana, e de "perturbar a intervenção das forças da ordem, que têm por dever assegurar a tranquilidade pública".

No final da reunião do grupo parlamentar do PS, em que os deputados fizeram uma "reflexão no plano político" dos acontecimentos dos últimos dias, que começaram no Seixal mas se espalharam a vários concelhos da área metropolitana de Lisboa, tanto na margem Norte como na Sul, nas últimas três noites, e à Avenida da Liberdade, em Lisboa, o presidente socialista apontou directamente o dedo às intervenções de responsáveis do Bloco de Esquerda nos últimos dias.

Este reparo acontece depois de o vídeo sobre cenas de violência entre a polícia e moradores captado no domingo ter sido divulgado pela deputada Joana Mortágua com a promessa de que o Bloco iria exigir explicações e de um assessor do partido no Parlamento, Mamadou Ba, que é também dirigente do movimento SOS Racismo, ter publicado nas redes sociais um texto em que chama "bosta" à polícia e a acusa de racismo pela violência com que tratou habitantes do bairro.

Depois de "condenar" as ocorrências que, vincou, "são situações inéditas e pouco comuns" em Portugal, Carlos César disse também que os socialistas condenam "veementemente as declarações que a esse propósito têm sido feitas pelo Bloco de Esquerda que não têm contribuído, em nenhum dos momentos, para a tranquilidade e para o bom esclarecimento do que está em causa".

Antes, o dirigente socialista afirmou-se contra as "intervenções de carácter partidário nesses processos que têm procurado acirrar ânimos, perturbar a intervenção das forças da ordem que têm por dever assegurar a tranquilidade pública".

Não é a primeira vez nos últimos meses que Carlos César critica abertamente o partido que apoia no Parlamento o PS e o Governo. No início do Verão acusou o Bloco de "eleitoralismo" (e apelidou-o de partido da extrema-esquerda) por se juntar à direita no caso da sobretaxa sobre os combustíveis. Em Dezembro, o presidente do partido e da bancada socialista defendia a necessidade de as autoridades lidarem com "a maior firmeza" contra manifestações violentas "que ponham em causa a ordem pública e a paz social", referindo-se às iniciativas dos coletes amarelos, mas dizia-se também preparado para o aumento da crispação do discurso político dos vários partidos durante este ano devido às eleições.