Nuno Gama mudou-se para o Chiado, à procura do "turismo ávido de diferença"

A nova loja do criador, em Lisboa, é mais pequena, mas está mais bem localizada, perto do Largo do Camões.

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Rui Gaudêncio

Há cinco anos que tinha loja instalada no Príncipe Real, em Lisboa. No final do ano, Nuno Gama fez as malas e desceu até ao Chiado, parando só no número 1 da Rua Nova da Trindade. O objectivo é chegar aos turistas que vêm à procura do que é português e diferente.

Embora seja um espaço mais pequeno, tem uma estrutura mais marcada — já para não falar da localização. A loja “é mais concentrada sob si própria”, aponta o criador. Logo à entrada – onde estão dois armários com os acessórios, óculos e joalharia –, está a colecção principal, mais à frente fica a zona de alfaiataria, antes da cortina que separa o ateliê do criador. 

Tal como a antiga loja, também esta tem uma barbearia, num espaço rodeado por expositores envidraçados — que formam, por sua vez, uma pequena perfumaria. O serviço de corte de cabelo e barba está disponível ao público, independente da compra em loja.

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A mudança aconteceu nos últimos meses do ano. “A renda já era demasiado alta para nós, portanto tivemos de ir à procura de outras alternativas”, justifica o criador. Feitas as contas, foi uma mudança para melhor, garante. Em grande parte, devido à localização, já a chegar ao Largo do Camões. “Estamos no coração de Lisboa, numa segunda artéria de acesso a muitas outras coisas. E hoje em dia, por todo o lado, há novos restaurantes, novas lojas, coisas a acontecer. O próprio turista é muito mais arisco”, comenta.

De quem já estava instalado nas redondezas recebeu mensagens positivas, conta. “Houve imensa gente que disse ‘ah, que bom que o Nuno veio para aqui para ao pé de nós’. Acho que todos juntos fazemos uma oferta diversificada, que torna o Chiado mais aliciante”, observa.

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“Quando tenho a percepção de que tenho de mudar, [penso] então vamos evoluir. Defeitos que houvesse da loja anterior, vamos tentar colmatá-los aqui e criar [uma oferta] mais aliciante para os clientes”, acrescenta.

Uma marca portuguesa

Indissociável da portugalidade que marca as várias colecções, Nuno Gama é também conhecido pela teatralidade que costuma inserir nas suas apresentações. Na última edição da ModaLisboa, por exemplo, trocou a passerelle pelo Museu Nacional de Arte Antiga, convidando os visitantes a desfilar pelas salas onde os manequins posavam em roupa de Verão.​

O processo criativo não está separado do lado performativo. "São flashes de imagens de coisas diferentes”, que vão formando uma colecção. Contudo, a visibilidade do desfile é importante. “Vivemos numa sociedade extremamente veloz. Não é fácil mantermos a chama acesa durante o ano inteiro", comenta Nuno Gama. "No meu caso, tenho dois picos gigantes, que são na ModaLisboa, onde ponho todas as minhas energias, de forma a captar atenção sobre a marca e manter o interesse dos clientes sobre o produto e sobre a marca como status.”

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O criador assiste “feliz e contente” ao crescente interesse dos portugueses naquilo que é produzido no país. “Acho que, quer queiramos, quer não, esta história de ganharmos os mundiais e os campeonatos é importante”, assinala, continuando: “de repente, termos chefs a fazerem comida portuguesa reinventada, de repente termos esta invasão turística a admirar o nosso país e a ganharmos prémios — por exemplo os 17 “Óscares” do turismo — é absolutamente genial.”

“Há aqui uma evolução de autoconfiança nacional, que é um trabalho de toda a gente”, aponta. “É que as pessoas acham que é só quem levanta a mão... É quem levanta a mão e quem segura o braço! Se o chef fizer comida portuguesa, mas ninguém lá for também não adianta. Se eu falar português e ninguém comprar a roupa também não adianta”, conclui.

Sente isso na sua marca? “Sinto a todos os níveis. Como nunca, temos um turismo ávido de diferença, à procura de tudo o que é diferente quando aqui chega. E o que é que vêm procurar? Querem comida portuguesa, querem roupa portuguesa, querem música portuguesa, querem saber quem somos e querem fascinar-se connosco. Até se querem mudar para cá todos”, responde.