Cachorrinhos do Gazela e The Presidential Train são finalistas de prémios mundiais da gastronomia

Dois luxos do Porto e do Douro nos The World Restaurant Awards: a especialidade do Gazela e a viagem gourmet do histórico comboio presidencial.

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Os cachorrinhos do Gazela Nelson Garrido
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The Presidential Martin Henrik

Os cachorros do Gazela, do Porto, e as viagens do The Presidential - Gourmet Train Experience ao longo da linha do Douro são os dois finalistas de Portugal nos The World Restaurant Awards.

Os cachorros, uma especialidade afamada no Porto desde 1962, são obra da Cervejaria Gazela. Ao longo de décadas não têm parado de conquistar fãs e, mais recentemente, correram mundo graças à passagem de Anthony Bourdain pela casa. O sucesso levou à abertura de uma segunda Gazela, praticamente à frente da outra, com a Praça da Batalha pelo meio.

The Presidential é uma experiência diferente, um luxo gourmet, preparado por chefs célebres (casos de Dieter Koschina, o cozinheiro que tem garantido com segurança duas estrelas Michelin ao restaurante Vila Joya; ou Ljubomir Stanisic, estrela do 100 Maneiras e um Pesadelo na Cozinha) para saborear numa viagem no renovado comboio Presidencial, construído em 1890. A viagem vai da Estação de São Bento, no Porto, ao Vesúvio, em pleno Douro.

As novidades dos World Restaurant Awards

Os novos prémios do cada vez mais complexo universo das distinções ligadas à gastronomia partem da cabeça de dois imaginativos gastrónomos e food writers, Joe Warwick e Andrea Petrini, em parceria com a Fine Dining Lovers, em cujo site se poderá acompanhar a cerimónia de atribuição dos prémios, que acontece em Paris a 18 de Fevereiro de 2019.

Os nomeados nas 17 (em alguns casos ligeiramente surreais) categorias foram escolhidos por um júri internacional composto por chefs, gastrónomos, “especialistas em restaurantes” e “figuras influentes de velhos e novos media”.

Porque já existe a lista dos 50 Melhores Restaurantes do Mundo (também ligados à Fine Dining Lovers), que na realidade são 100, o que se pretende com estes novos prémios é chamar a atenção para fenómenos diferentes, e com menos visibilidade, no mundo da gastronomia. São, no total, 73 os nomeados de 22 países (dois terços dos quais na Europa).

Há critérios que destacam os restaurantes clássicos e os que voltam os holofotes para os que abriram recentemente, há os originais, entre os quais surgem as apostas mais óbvias como o Noma de Copenhaga e o Mugaritz, em San Sebastian, e há os “remotos”, nos quais “a viagem para lá chegar já é uma história”, e que incluem, por exemplo, o Mil, projecto de Virgílio Martinez e Pia Leon no Peru, ou o Tokuyamazushi, em Shiga, Japão.

Outra categoria diz respeito aos restaurantes onde é possível ir sem fazer reserva, e outra ainda aos que se distinguem por um prato em particular – é o caso do Gazela e dos seus cachorrinhos. O The Presidential foi escolhido para a short list dos Eventos do Ano. Houve outros portugueses na lista mas que não chegaram a finalistas: a marisqueira Ramiro, nos clássicos, Prado no Restaurante Novo do Ano e também Restaurante Sem Pinças do Ano, Feitoria pelo serviço de queijos na categoria Trolley do Ano, e o The Yeatman no serviço de vinho tinto. 

Existem duas grandes distinções, os Big Plates e os Small Plates. Entre estes, que são prémios ainda mais fora da caixa, surgem o Chefe do Ano sem Tatuagens (não terá sido fácil encontrá-los, dado que só há três finalistas, Clare Smyth, Alain Ducasse e David Thompson), o prémio para o restaurante que ainda dá destaque ao vinho tinto, e outro para o que tem a melhor conta de Instagram.

Destaque ainda para o que de melhor se escreveu sobre comida em jornalismo de longo formato (“porque o mundo ainda precisa de textos profundos sobre restaurantes”), categoria que tem como finalistas Lisa Abend e o texto The Food Circus publicado na Fool Magazine, Helen Rosner com What Jonathan Gold meant for food writing, o obituário do famoso crítico do LA Times que morreu no ano passado, e um texto do próprio Gold sobre outra grande figura da gastronomia que desapareceu em 2018, Anthony Bourdain Opened the Working Class Kitchen to the World.

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