Em cada 100 carros feitos na Europa, 98 têm componentes portugueses

Volume de negócios ascendeu a 11,3 mil milhões de euros em 2018. Indústria de componentes debate em Ílhavo como lidar com a grande dependência em elação ao mercado europeu.

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A produção do T-Roc, em Palmela, elevou a produção de carros em Portugal para níveis recorde Daniel Rocha (Arquivo)

Em cada 100 carros produzidos na Europa em 2018, 98 têm componentes fabricados em Portugal. A participação dos fabricantes portugueses para a indústria automóvel nunca foi tão forte como no último ano, mostrando como o sector “tem vivido tempos bons”, nas palavras de Tomás Moreira, presidente da Associação dos Fabricantes para a Indústria Automóvel de Portugal (AFIA). 

No plano dos números, tudo parece correr bem. O volume de negócios do sector foi de 11,3 mil milhões de euros (ou 5% do Produto Interno Bruto português), as exportações ascenderam a 9400 milhões de euros, ou 16% das exportações portuguesas de bens transaccionáveis. Para um sector que tem “apenas” 235 empresas mas 55 mil trabalhadores, o valor acrescentado bruto por trabalhador foi de 48 mil euros – mais 50% do que a média da indústria transformadora portuguesa.

Estes e outros dados estão a ser apresentados nesta quarta-feira no nono encontro da AFIA, que está a decorrer em Ílhavo. Porém, avizinha-se “uma fase de grandes mudanças, a começar pela mudança nos mercados”, alerta Tomás Moreira e por isso é urgente debater como enfrentar os próximos tempos em que já paira no ar “receios de estagnação”.

Uma das fragilidades é a grande dependência do sector português do mercado europeu, onde a produção de automóveis de resto caiu “drasticamente” no último quadrimestre de 2018, segundo os dados revelados por Pedro Carvalho, da direcção da AFIA. Na Europa, construíram-se 22 milhões de carros no ano passado, uma variação global de -0,1%, que não pode fazer esquecer a mensagem essencial: a Europa travou a fundo e um sector como o da AFIA, que exporta quase tudo para a Europa, tem de se virar para outros mercados, se quiser crescer, em quota de mercado pelo menos.

A quota de exportações portuguesas até baixou ligeiramente em 2018 face a 2017 (de 85% para 83%), mas isso deve-se ao facto de ter havido uma maior incorporação de produto nacional na fábrica da Autoeuropa, em Palmela, onde a produção do T-Roc elevou a produção de carros em Portugal para níveis recorde.

Para o líder da AICEP, Luís Castro Henriques, que apresentou no encontro três desafios à indústria, um dos caminhos é diversificar os mercados de destino, apontando baterias para a Ásia, que é o maior fabricante e o maior consumidor de automóveis em termos mundiais.