Um sindicalista que é também um resgatador de animais

Quando tem tempos livres, Mário Nogueira aproveita para fazer caminhadas e nestes percursos acabou por descobrir uma outra vocação.

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Mário Nogueira não deixa para mãos alheias os animais abandonados em que tropeça Rui Gaudêncio

Mário Nogueira, que acabou de fazer 61 anos, foi eleito pela primeira vez  secretário-geral da Federação Nacional de Professores (Fenprof) em 2007, precisamente o ano em que a então ministra socialista Maria de Lurdes Rodrigues incendiou a classe docente com o seu modelo de avaliação de desempenho e um novo estatuto que impedia a maioria dos professores de chegar ao topo da carreira.

Este militante de base do PCP afirma que nunca foi outra coisa que não isso mesmo, um militante de base, desde que entrou no partido no início da década de 80. Na Fenprof 
já vai no quarto mandato, 
a que poderá não se recandidatar de novo. Em entrevista ao PÚBLICO adianta que é uma opção que manterá em aberto.

Pelo caminho tem 29 anos de sindicalismo a tempo inteiro. Começou no princípio dos anos 90, enquanto dirigente do Sindicato dos Professores da Região Centro. Antes tinha sido delegado sindical e também professor em exercício do 1.º ciclo. A sua estreia a dar aulas aconteceu em 1979. Manteve-se no ensino cerca de 12 anos e o seu objectivo é agora regressar à escola antes de atingir a idade da reforma. Ainda falta um pouco mais de cinco anos.

O seu quartel-general continuará a ser no hoje muito cobiçado Bairro Azul em Lisboa, num prédio que o Sindicato dos Professores da Grande Lisboa comprou há mais de 30 anos e no qual cedeu “três salas e uma casa de banho no 1.º andar” à Fenprof.

“Para além disto, e que apenas é seu por empréstimo, a Fenprof nada mais tem de seu, a não ser um grande orgulho 
de representar tantos professores”, diz.

Mas é em Coimbra, onde reside e onde está a sua escola, que Mário Nogueira encontra o que mais gosta, e que passa por facetas que são desconhecidas do grande público. Como esta: quando tem algum tempo livre, põe-se a caminho. Mais exactamente, faz caminhadas, que podem mudar para passo de corrida.

Por via deste exercício, e porque nestas voltas se depara frequentemente com eles, tornou-se um “resgatador” de animais abandonados. Um deles, um cão que encontrou moribundo e de quem tratou, faz hoje parte do seu grupo de amigos fiéis.