Entrevista

Mário Nogueira: "Não sou candidato a coisa nenhuma"

O actual mandato de Mário Nogueira à frente da Federação Nacional de Professores termina este ano.

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Nogueira no seu gabinete de secretário-geral da Fenprof Rui Gaudêncio

Por agora, Mário Nogueira diz só ter uma certeza quanto ao seu futuro: não sairá da Federação Nacional de Professores (Fenprof) para ser candidato a deputado ou algo do género. 

É secretário-geral da Fenprof desde 2007. Está a pensar abandonar em breve este cargo?
Os sindicatos todos da Fenprof têm perguntado se sou candidato. E eu respondo que para os tachos é que há candidatos. Se há coisa que detesto é quando vejo malta que passa pelo movimento sindical como se fosse uma espécie de trampolim para dar o salto para outro sítio. 

Temos congresso em Junho de 2019 e os nossos mandatos são de três anos. Disse que não sou candidato a coisa nenhuma, sou um professor em primeiro lugar e um dirigente sindical em segundo. Para admitir pensar numa eventual disponibilidade para continuar neste cargo quis saber primeiro se todos os sindicatos que pertencem à Fenprof achavam se devia ou não continuar. Na última reunião do secretariado nacional, realizada a 10 e 11 de Janeiro, todas as direcções sindicais consideraram que deveria continuar por mais um mandato, até tendo em conta o momento em que estamos da luta sindical. 

Neste quadro, a partir daqui tenho de avaliar a questão também a outros níveis, quer a nível pessoal, quer a nível profissional, quer do desgaste sofrido. O que mais gosto é do trabalho nas escolas, de estar lá em plenários, a debater com os outros professores, com gente a mandar vir, a fazer propostas. A verdade é que estar aqui na sede, em reuniões, dá-me mais desgaste do que estar nos plenários nas escolas.

Portanto, vou pensar, mas ainda não tomei uma decisão, até porque preciso de estar mais próximo da data do congresso para fazer uma avaliação da situação, nomeadamente em que pé estarão as negociações com o Governo. Agora uma coisa é certa, nunca sairei deste trabalho para ser candidato a deputado ou coisa do género. Quando sair daqui, saio para a minha escola.

Está há quase 30 anos sem ensinar, equaciona mesmo voltar a dar aulas?
Sim. Quando sair daqui é para a minha escola. Também não penso sair daqui já reformado porque não concordo que os órgãos executivos dos sindicatos sejam compostos por professores aposentados. Pode haver lá um representante destes, mas os restantes têm de estar em contacto mais directo com as escolas. 

Por mim, pertenço ao quadro do Agrupamento de Escolas Rainha Santa Isabel, em Coimbra, o que apesar de tudo não me faz crer que as coisas aconteçam por milagre. Fica quase mesmo ao lado a minha casa. Foi lá que efectivei [entrou na carreira] como professor do 1.º ciclo, que é a minha formação de base. Tive depois outras formações nas áreas de problemas comportamentais e das necessidades educativas especiais, onde também poderei trabalhar. Clara Viana