WhatsApp reduz partilha de mensagens por utilizador

Empresa detida pelo Facebook lançou a experiência na Índia e agora decidiu alargá-la a todo o mundo, como parte do combate à circulação de informações falsas.

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Só vai ser possível enviar uma mensagem a cinco outros utilizadores Reuters/Dado Ruvic

Os utilizadores do programa de troca de mensagens WhatsApp só vão poder enviar uma mensagem a cinco pessoas, em vez das 20 actuais, numa tentativa da empresa para limitar a circulação de informações falsas.

O anúncio foi feito esta segunda-feira por uma das vice-presidentes do WhatsApp, Victoria Grand, a partir de Jacarta, a capital da Indonésia.

A redução do limite máximo já está em vigor na Índia desde o Verão do ano passado, depois de uma série de linchamentos públicos motivados por rumores e mentiras. A empresa decidiu agora alargar a decisão ao resto do mundo.

A decisão destina-se a limitar as mensagens que podem ser postas a circular em grupos do WhatsApp, que podem ter até 256 pessoas inscritas.

Um pouco por todo o mundo, da Índia à Indonésia, passando pelo Brasil, o WhatsApp tem sido usado em campanhas eleitorais para fazer circular textos, vídeos e fotografias com informações falsas, que são depois aceites como verdade por inúmeros utilizadores e eleitores.

A partir de agora, uma mensagem enviada por 256 utilizadores pode alcançar 1280 pessoas, em vez das 5120 que era possível alcançar anteriormente.

Empresa sob pressão

A medida resulta da pressão internacional, nos últimos dois anos, para que empresas como o Facebook (que detém o WhatsApp e o Instagram) e o Twitter façam algo para combater a circulação de informações falsas pelos seus serviços.

No caso do WhatsApp, as mensagens são codificadas para que só possam ser lidas por quem envia e por quem recebe, o que limita a possibilidade de a empresa actuar antes de as informações falsas chegarem a mais pessoas.

No ano passado, foi noticiado que o Governo da Índia está a pensar em propor legislação que obrigue o Facebook a escrutinar as mensagens do WhatsApp, o que motivou acusações de censura prévia.

Para além de pôr em causa a liberdade de expressão, uma decisão deste tipo obrigaria a empresa a tomar uma de duas decisões: ou modifica o seu sistema de segurança e confidencialidade, em que os utilizadores confiam; ou pode ter de sair de um mercado onde tem mais de 200 milhões de utilizadores activos.