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Digo não à Blue Monday

É claro que há muito que esta teoria foi catalogada como pseudociência e que se percebeu que ela não passava de uma manobra de marketing. Mas existe alguma verdade — e eu não me vou deixar abater por todos estes pensamentos.

E eis que chegou aquele dia que tantos temiam desde o início de 2019. Sim, aquele dia pouco simpático, triste, deprimente e deprimido a que se convencionou chamar de Blue Monday, o dia mais triste do ano! É verdade! Para aqueles menos atentos ao calendário, venho relembrar que esta é a terceira segunda-feira de Janeiro e que, como tal, hoje estamos perante a já famosa Blue Monday.

Desde 2005, e como consequência de um estudo do psicólogo Cliff Arnall, que se denomina a terceira segunda-feira do mês de Janeiro como o “dia mais triste do ano. O dia teria sido calculado pelo psicólogo tendo em conta vários factores, que combinou numa equação, que tinham em consideração factos como:

  • As condições climáticas que se fazem sentir nesta época;
  • As despesas (ou até as dívidas) contraídas durante as festas de Natal e Ano Novo;
  • O facto de já ter decorrido tempo suficiente para percebermos que, mais uma vez, falhámos redondamente nas nossas resoluções para o novo ano;
  • Os baixos níveis de motivação habituais nesta época;
  • A sensação que queremos realizar mudanças nas nossas vidas mas que ainda não fizemos nada para criar essas mudanças, para atingir as conquistas que pretendíamos atingir neste 2019.

É claro que há muito que esta teoria foi catalogada como pseudociência e que se percebeu que ela não passava de uma manobra de marketing. Contudo, a ideia ficou e todos os anos nos lembramos que a terceira segunda-feira do mês de Janeiro é dia de nos sentirmos tristes e meio zangados com o mundo. Existe alguma verdade nesta pseudociência, que mais não é do que senso comum.

A verdade é que estamos no Inverno e os dias têm poucas horas de luminosidade — muitas vezes, são cinzentos e escuros. Está frio, o que nos retira alguma vontade de sair de casa e passear a céu aberto. Sentimos (a maior parte de nós) que temos longos meses de trabalho pela frente até que tenhamos a possibilidade de descansar numas merecidas férias. Sentimos que Janeiro nunca mais tem fim, enquanto aguardamos o tão desejado “balão de oxigénio” a que damos o nome de salário. Sentimos o peso das despesas que tivemos com o Natal e as 1001 prendas que não devíamos ter comprado… para não falar das despesas que tivemos com o fim de ano. E a dieta? Já percebemos a esta altura que não só já nos falta a vontade para ir para o ginásio (o frio é o grande culpado!) como também temos pouca vontade para continuar aquela alimentação hipocalórica que não está a oferecer-nos os resultados que pretendíamos! Raios, o psicólogo devia mesmo ter razão! Que tristeza!

Mas é claro que não me vou deixar abater por todos estes pensamentos. Este ano decidi fazer da Blue Monday um happy day (e sabe Deus o difícil que isso é numa segunda-feira!), olhando para esta data com uma perspectiva positiva! Vou começar por não reclamar por ser segunda-feira, por ter de levantar cedo, por estar frio. Vou agradecer o facto de, pelo menos, termos sol! A ideia será afastar de mim todo e qualquer pensamento negativo. Quero acreditar que, ao reclamar menos, me irá sobrar um tempinho para degustar um copo de vinho enquanto leio um livro, vejo um filme. Vou pensar e agendar pequenos momentos a saborear durante toda a semana. A ideia é deixar de pensar a longo prazo (nas férias, por exemplo) e pensar em pequenos momentos que possam alimentar a minha alma e o bem-estar diariamente (um café com amigos, um lanche, fazer uma caminhada, passear, ir ao cinema).

Vou pensar mais em ser feliz hoje do que pensar sempre num amanhã mais brilhante e feliz que poderá nunca chegar. Decidi que irei almoçar algo que gosto muito. Sim, tenho apenas uma hora de almoço mas irei comer um dos meus pratos favoritos. Decidi, também, que tentarei dar um pequeno passo para levar um pouco de felicidade àqueles que se cruzarem comigo: um sorriso, um bom-dia, dois dedos de conversa com quem estiver disposto a ouvir-me — tudo banhado em “positivismo”. Vou tentar esquecer que, como dizia Rui Veloso “para mim hoje é Janeiro/ está um frio de rachar/ parece que o mundo inteiro/ se uniu para me tramar”.

Existem, como vimos, muitas e muitas razões para sentirmos que esta é uma segunda-feira ainda mais triste e desconsolada que as outras segundas-feiras. Mas a verdade é que nos compete a nós decidir qual será a atitude a termos neste início de semana e neste início de ano. Eu escolhi dizer não à Blue Monday! E estou quase certa que este vai ser um dia recheado de boas energias, que de blue só terá o céu!