Os estranhos depósitos de 2000 reais do filho de Bolsonaro

Globo revela dados do relatório que lança suspeitas de lavagem de dinheiro sobre Flavio Bolsonaro, enquanto deputado do Rio de Janeiro.

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Flávio Bolsonaro conseguiu que a investigação fosse suspensa SERGIO MORAES / Reuters

Flávio Bolsonaro, um dos filhos do Presidente brasileiro Jair Bolsonaro, eleito para o Senado em Outubro, foi um dos vários deputados da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro a quem o Conselho de Controlo de Actividades Financeiras (Coaf) detectou várias movimentações bancárias suspeitas. O Jornal Nacional, da Rede Globo, divulgou-as em pormenor e percebe-se porque são suspeitas: em cinco dias de Junho e Julho de 2017, foram feitos em poucos minutos depósitos no Multibanco da mesma agência bancária, e sempre do mesmo valor, 2000 reais (480 euros).

No dia 9 de Junho de 2017, foram feitos dez depósitos no intervalo de cinco minutos, entre as 11h02 e as 11h07, relata a Globo. A 15 de Junho, outros cinco depósitos, igualmente no caixa automático da agência bancária que fica dentro da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. A 28 de Junho, dez depósitos, em apenas três minutos. A 13 de Julho, oito depósitos, em meros quatro minutos. A 13 de Julho, 15 depósitos, em seis minutos. Sempre de dois mil reais ou cerca de 480 euros. O total, diz a televisão, chega a 96 mil reais, ou 22 mil euros.

Não é possível saber quem fez os depósitos na conta de Flávio Bolsonaro, diz o Coaf. Mas o facto de terem sido feitos de forma fraccionada levanta a suspeita de que possa existir uma tentativa de lavagem de dinheiro.

Nas suspeitas também está envolvido um antigo assessor de Bolsonaro, Fabrício Queiroz, por cuja conta terão passado, num só ano, 1,2 milhões de reais (281 mil euros). Queiroz foi convocado para prestar declarações à Justiça, numa investigação que está a ser conduzida pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, mas tem-se conseguido esquivar – até com um internamento.

E, entretanto, na sexta-feira, Flávio Bolsonaro conseguiu que a investigação fosse suspensa, numa decisão provisória tomada pelo juiz Luiz Fux, que é vice-presidente do Supremo Tribunal Federal. O senador eleito pede anulação das provas, alegando ter foro privilegiado.