Aparecimento de mais plantas com bactéria Xylella fastidiosa aumenta área infectada

Insecto vector alargou a área contaminada afectando apenas plantas ornamentais, mas os receios da sua propagação a culturas de grande impacto económico aumentam.

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A bactéria ataca espécies como a oliveira ou a amendoeira NUNO FERREIRA SANTOS

Durante a realização de uma nova prospecção efectuada pelos serviços da Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Norte (DRAPN) no jardim do Zoo de Santo Inácio, em Vila Nova de Gaia – onde foi detectada no dia 3 de Janeiro, a bactéria Xylella fastidiosaforam identificadas mais plantas infectadas.

A informação foi prestada, através de comunicado, pela Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) com a indicação de ter sido determinada “uma nova demarcação da zona infectada”.

Recorde-se que o Zoo de Santo Inácio, esclareceu, no início do ano, quando foram feitas análises às plantas do jardim da instituição, que a bactéria fora detectada "numa sebe ornamental de Lavandula dentata” e a única planta contaminada foi, de imediato, destruída.  

A DGAV refere que “de acordo com o previsto no Plano de Contingência em curso”, a prospecção que está a ser efectuada pela DRAPN na zona infectada (100 metros em redor das plantas contaminadas) para determinação da extensão do foco, permitiu confirmar a “presença da bactéria noutras plantas de Lavandula dentata, plantadas no mesmo jardim.” 

A subespécie da bactéria “foi entretanto identificada”, refere a DGAV. Trata-se da X. fastidiosa subsp. Multiplex e está associada a 58 espécies/géneros de plantas, entre eles, a amendoeira, a cerejeira, a ameixeira, a oliveira, o sobreiro, a figueira e muitas plantas ornamentais e da flora espontânea.

Na sexta-feira, o ministro da Agricultura, Capoulas Santos, garantiu, durante a visita que efectuou à Adega Cooperativa de Figueira de Castelo Rodrigo, no distrito da Guarda que o Governo “tem um plano de contingência para fazer face à bactéria Xylella fastidiosa e que é necessário estar atento aos seus sintomas nas plantas”.

Este plano de contingência, acrescentou o ministro, faz com que haja “prospecções simultâneas por todo o território” nacional e “foi isso que permitiu detectar a presença da bactéria, pela primeira vez, numa planta que não é uma planta que tenha utilização económica”.

Face aos prejuízos “potencialmente” causados pela Xylella fastidiosa num vastíssimo leque de plantas hospedeiras, a DGAV lembra que a bactéria pode destruir “culturas de grande importância económica para o nosso país”. E apela “a todos, particulares ou profissionais, a colaborarem com os esforços oficiais que estão a ser feitos no sentido da erradicação do foco agora detectado”, advertindo para a necessidade do “escrupuloso cumprimento das restrições ao movimento de plantas susceptíveis à doença.”