"Agora é preciso alguma paz" e que "o ruído acabe no PSD", diz Rui Rio após vitória

Rui Rio recebe a confiança do Conselho Nacional e continua como presidente do partido social-democrata. Rio fala de uma “liderança reforçada” e pede para que o deixem trabalhar com tranquilidade.

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Rui Rio viu aprovada a moção de confiança com 59,5% dos votos Nelson Garrido

A moção recebeu 75 votos a favor, 50 contra e uma abstenção. Contas feitas, a moção de confiança ao líder o PSD teve 59,5% dos sufrágios. Trata-se de uma vitória confortável que abre caminho a Rui Rio para preparar os combates eleitorais que o partido vai ter de disputar.

O líder social-democrata sai deste conselho nacional extraordinário, que decorreu no Porto debaixo de uma grande tensão, reforçado tanto mais que foi o próprio a apelar aos conselheiros para que votassem de forma secreta, contrariando a vontade dos seus apoiantes que sempre se bateram por uma votação de braço no ar. 

A moção de confiança foi a resposta de Rui Rio ao desafio do antigo líder da bancada parlamentar do PSD, Luís Montenegro, que o desafiou para eleições directas. Quase uma semana depois de Montenegro ter pedido directas anuncia a convocação de um conselho nacional extraordinário ao qual submeterá uma moção de confiança.

O conselho nacional foi muito tenso e só acalmou quando, já de madrugada, Rio fez um apelo aos conselheiros nacionais para que a sua moção fosse através de voto secreto. Foi, de resto, nesse sentido que o conselho nacional se viria a pronunciar, depois de uma longa batalha jurídica em que o partido mergulhou. 

Onze horas depois do inicio do conselho nacional, o presidente do PSD, Rui Rio, espera que o ruído no partido acabe, porque entende que a sua liderança saiu reforçada da reunião extraordinária que votou favoravelmente a sua moção de confiança.

“O que eu posso pedir é que as pessoas deixem fazer o trabalho com alguma tranquilidade e não haja permanente, permanente, permanente ruído como tem havido porque assim não é possível”, declarou Rui Rio à saída do conselho nacional que decorreu no Porto esta quinta-feira, terminando pelas 4h desta sexta-feira.

Rio fala de uma “liderança reforçada” e diz mesmo que “este conselho nacional e esta moção de confiança para esse efeito são clarificadores”. O líder aludiu ao clima de instabilidade que o partido viveu nas duas últimas semanas e diz que o resultado deste conselho nacional é superior ao que obteve nas eleições directas, o que legitima a sua liderança e a sua estratégia para o PSD. 

Antes de Rio falar, pelas 4h00 da manhã, Luís Montenegro anunciava que falaria esta sexta-feira, ao meio-dia no Hotel Solverde, em Espinho. O líder do PSD foi abordado sobre a oposição que tem dentro do partido. "Quem não quiser ou não se sentir a vontade tem essa liberdade. Mas agora permitam que se possa fazer o trabalho à vontade".

Com a confiança aprovada, Rio diz que "já é claro que o PS pode perder as eleições e agora temos de construir a possibilidade de nós [PSD] as ganhar" e acrescentou: a estratégia tem etapas, o que se faz dois ou cinco anos antes ou em cima de eleições é diferente. Tudo isto tem uma lógica. Não pode ser a política do "bota abaixo", há um caminho a fazer. A moção de confiança foi clarificadora e evidentemente que me sinto reforçado".

"Somos todos PSD"

Antes do líder dos sociais-democratas sair do auditório do hotel no Porto, outros militantes do PSD pronunciaram-se sobre o resultado.

Maria Luís Albuquerque afirmou que o partido saiu "clarificado e reforçado" após um "resultado legítimo" que não era o que previa. "Somos todos PSD", relembrou a antiga ministra das finanças.

Na mesma linha também falou o secretário-geral do partido, José Silvano, e Fernando Negrão. "O PSD sai vencedor", disse o líder parlamentar do PSD. O "partido está unido e disposto a fazer uma oposição construtiva, mesmo de quem levantou as criticas. O ambiente mudou e as pessoas perceberam isso", referiu.

Paulo Rangel, eurodeputado que continua a não querer falar sobre as próximas eleições europeias, continuou a criticar a metodologia dos votos à moção. Os "membros do Conselho Nacional não se representam por si próprios", diz Rangel que, apesar da "pressão e escândalo da comunicação social", achou bem que o sufrágio tenha sido secreto pela vontade demonstrada pelo líder do PSD, figura a quem o partido deve apoiar. "Foi um momento importante e difícil, mas o partido sai a bem", referiu.