Testemunha diz que ex-Presidente Peña Nieto recebeu suborno de 100 milhões de "El Chapo"

A acusação foi feita por um narcotraficante colombiano que foi detido em 2013 e colabora agora com a justiça norte-americano. O montante teria sido negociado com o barão da droga mexicano “El Chapo”, considerado um dos maiores criminosos do século.

Peña Nieto foi presidente do México até ao final do ano passado
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Peña Nieto foi presidente do México até ao final do ano passado Reuters/EDGARD GARRIDO

Uma testemunha no julgamento do narcotraficante mexicano Joaquín “El Chapo” Guzmán afirmou na terça-feira que este pagou ao ex-presidente mexicano Enrique Peña Nieto subornos que terão ascendido a 100 milhões de dólares (cerca de 87,6 milhões de euros).

É a primeira vez desde o início do julgamento em Nova Iorque, nos Estados Unidos da América, em Novembro, que uma testemunha implica directamente o antecessor de Andrés Manuel López Obrador.

“Guzmán pagou subornos de 100 milhões de dólares ao presidente Peña Nieto?”, perguntou Jeffrey Lichtman, advogado de defesa, à testemunha Alex Cifuentes. “É isso”, respondeu Cifuentes, citado por vários jornalistas presentes na audiência, embora depois tenha dito não estar certo do montante exacto.

Este narcotraficante colombiano, colaborador próximo de Guzmán desde 2007 até ter sido detido em Novembro de 2013, colabora agora com a justiça norte-americana.

Cifuentes confirmou assim publicamente um testemunho recolhido em Janeiro de 2016 pelos investigadores norte-americanos, aos quais falou então daquele suborno.

Segundo Lichtman, na altura o colombiano disse que Peña Nieto tinha inicialmente exigido 250 milhões de dólares, mas que “El Chapo” tinha conseguido diminuir o montante para 100 milhões.

O narcotraficante "El Chapo" tinha já acusado os presidentes do México, incluindo Peña Nieto, de receber subornos. O julgamento estava inicialmente previsto para durar quatro meses, mas deve terminar antes desse prazo.

As autoridades norte-americanas afirmam que “El Chapo”, que arrisca a prisão perpétua, enviou para os Estados Unidos mais de 154 toneladas de cocaína entre 1989 e 2014, com um valor estimado em 14 mil milhões de dólares (cerca de 12 mil milhões de euros).