Ex-ferroviário condenado no Face Oculta não pôde cumprir pena em Évora

Prisão de Évora aceitava admissão de arguido, mas ia transferi-lo para outra cadeia. O antigo quadro da Refer preferiu apresentar-se voluntariamente noutro estabelecimento prisional.

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Pedro Nunes (colaborador)

Um antigo ferroviário de 65 anos que foi condenado a seis anos e meio de prisão efectiva no processo Face Oculta apresentou-se esta terça-feira no Estabelecimento Prisional de Évora, mas foi informado de que não reunia os requisitos para cumprir a pena naquela cadeia.

Isso mesmo explicou ao PÚBLICO a advogado do arguido, Poliana Ribeiro, que adiantou que Évora aceitava admitir o cliente, mas ia transferi-lo de imediato para outra cadeia. A versão foi confirmada ao PÚBLICO por fonte oficial da Direcção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais. “Como ainda não tínhamos formalizado a admissão, preferimos apresentar-nos voluntariamente noutro estabelecimento. Provavelmente, iremos fazê-lo em Castelo Branco”, afirmou a defensora, que precisou que tal ocorrerá, no máximo, até sexta-feira. 

A cadeia de Évora é destinada a reclusos que exerceram funções em forças ou serviços de segurança ou a pessoas que necessitem de especial protecção, como foi o caso do ex-primeiro-ministro José Sócrates. O ex-ministro socialista Armando Vara pediu para cumprir os cinco anos de cadeia no âmbito deste caso precisamente em Évora. 

“Além de quadro da Refer, o meu cliente também foi vereador na Câmara de Alenquer”, afirmou Poliana Ribeiro, que admite vir, mais tarde, a pedir, de forma fundamentada, a transferência do cliente para Évora. 

Poliana Pinto Ribeiro diz que o cliente, Manuel Guiomar, optou por se apresentar em Évora, porque, apesar de residir em Ponte de Sor, tem família naquela primeira cidade. “É uma pessoa com 65 anos e preferia uma cadeia pequena”, admite a advogada. 

Na cadeia de Évora todas as celas dispõem de instalações sanitárias. A prisão possui ainda bar, refeitório, sala de convívio, gabinete médico, biblioteca e sala multiusos destinada a acções de formação. “Tem igualmente um pequeno ginásio equipado com máquinas de musculação e um pátio exterior que também permite a prática de actividades desportivas”, descrevem os serviços prisionais.

O antigo ferroviário foi condenado no processo Face Oculta por um crime de corrupção e quatro de burla.