Líder do PSD-Setúbal assume críticas a Rio: “Assim não vamos lá”

Bruno Vitorino defende voto secreto no Conselho Nacional.

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JOSé COELHO/LUSA

O líder da distrital do PSD de Setúbal, Bruno Vitorino, assume ao PÚBLICO a sua posição crítica a Rui Rio, acusando o líder de não conseguir criar uma “verdadeira alternativa” e de promover a “desunião”. Elogia Luís Montenegro mas diz não ser seu apoiante.

“O sentimento generalizado no partido era: ‘Assim não vamos lá’”, afirma o deputado, apontando o dedo à forma como Rio faz oposição. “Percebemos que [Rui Rio] sabe fazer intervenções fortes quando é necessário e que os seus apoiantes se sabem organizar até nas redes sociais para fazer passar uma mensagem. Então porque é que não fizeram até aqui em nenhum assunto, com energia, que pudesse beliscar António Costa?", questionou.

Para chegar a esta situação de pôr a liderança em causa, Bruno Vitorino recorda o estado do PSD. "Não víamos o partido com projectos credíveis como uma verdadeira alternativa ao Governo e a mobilizar o grupo parlamentar", afirmou, referindo que "a desunião era promovida por membros da direcção". 

Rejeitando ter feito parte de qualquer grupo de críticos organizado – “nunca reuni com o dr. Luís Montenegro” – Bruno Vitorino assume que agora participa em “conversas” com “colegas” sobre a situação do partido. No rol de queixas está também a forma como a direcção encarava as "dúvidas e algumas críticas colocadas nos locais próprios" e que eram vistas como vindo de alguém que “está do outro lado”. Por outro lado, no seu trabalho de deputado eleito por Setúbal, Bruno Vitorino diz que nunca conseguiu ajuda da direcção para pôr temas na agenda como o caos no hospital do distrito ou articular uma posição sobre o aeroporto do Montijo. 

Nas vésperas da votação da moção de confiança no Conselho Nacional, o líder da distrital de Setúbal defende que o voto tem de ser secreto sem ser necessário entregar o requerimento para isso. “Tem de se criar condições no Conselho Nacional para não se condicionar ninguém”, afirma, lembrando que “no voto secreto também há clarificação”. A marcação da hora (17h) e o local (no Porto) só fragiliza a direcção política. “Estão com medo de quê?”, questionou. 

Se a moção de confiança for aprovada, o dirigente garante respeitar o resultado.

Bruno Vitorino diz assumir a sua posição com frontalidade mas diz estar a assistir casos de “hipocrisia” de pessoas que assumem publicamente estar ao lado do líder e que em privado o contestam.

Depois de ter mantido a neutralidade nas últimas directas, o líder do PSD-Setúbal elogia a coragem de Luís Montenegro mas quer manter uma posição de imparcialidade. “Não sou apoiante de Luís Montenegro”, afirma, mas contesta a crítica de que o desafio lançado pelo ex-líder da bancada seja um "golpe palaciano".

No final do mês de Dezembro, Bruno Vitorino pediu a demissão do vice-presidente de Rui Rio Salvador Malheiro depois de este dirigente ter escrito na rede social Twitter sobre os militantes do PSD que perdem sistematicamente eleições nas suas terras.