Ex-enfermeira Sandra Ramos desvenda os segredos da aromaterapia

E se pudesse aliviar a dor com óleos essenciais? A aromaterapeuta explica como o fazer no livro que lança nesta terça-feira, em Lisboa.

Foto
Sandra Ramos abandonou a enfermagem para se dedicar às terapias alternativas Nuno Ferreira Monteiro

É através do olfacto que conseguimos identificar o perigo de um incêndio antes mesmo de o avistarmos ou o cheiro a gás que escapa do fogão. As sensações olfactivas também nos permitem ligar certas fragrâncias a memórias, recordações ou lugares. Além de criar imagens e lembranças, há quem acredite que os cheiros podem ter uma acção terapêutica – a aromaterapia é uma técnica que usa óleos essenciais para ajudar na recuperação do bem-estar físico ou emocional. Trata-se de uma prática que se insere no ramo das terapias holísticas e complementares, que não são reconhecidas pela ciência.

PÚBLICO -
Foto
O livro é um guia prático sobre a Aromaterapia Nuno Ferreira Monteiro

Sandra Ramos, enfermeira de formação e aromaterapeuta de profissão, acaba de se estrear na escrita com o livro Segredos da Aromaterapia, da editora Manuscrito, cujo lançamento decorre na tarde desta terça-feira, em Lisboa. Depois de ter passado pelas unidades de cuidados intensivos dos hospitais São Francisco Xavier e Egas Moniz, em Lisboa, a profissional desistiu da enfermagem e abriu um espaço próprio, na linha de Sintra, onde continua a ajudar pessoas, defende, mas através de terapias alternativas. A mudança, explica ao PÚBLICO, deve-se à descrença no sistema convencional e a um problema de saúde que a obrigou a estar afastada do seu trabalho durante três anos. 

Foi nessa altura que começou a fazer formação em diferentes terapias. Além da aromaterapia, também se especializou em reiki (terapia japonesa), tarot (cartas), numerologia (estudo de uma pessoa a partir da simbologia atribuída aos números), radiestesia (técnica de avaliação de estados energéticos através, por exemplo, de um pêndulo) e mesa radiónica (espécie de tabuleiro de jogo ao qual também se recorre a um pêndulo para curar).

PÚBLICO -
Foto
Nuno Ferreira Monteiro

O facto de ter migrado da medicina convencional para as terapias alternativas permitiu à ex-enfermeira ter uma visão mais abrangente da saúde e do bem-estar, acredita. Embora não queira substituir as terapias convencionais, antes ser uma alternativa complementar, e dá o seu exemplo: “[Os óleos] deram-me uma qualidade de vida que, até então, eu tinha à base da medicação.” E, acrescenta, a aromaterapia pode aliviar o sofrimento de quem padece de doenças como o cancro – alguns óleos reduzem os efeitos da quimioterapia, como é o caso da hortelã-pimenta ou de melaleuca, exemplifica. “Pode ajudar, mas não cura”, salvaguarda Sandra Ramos.

Uma gota num lenço

Quem procura a ajuda de um aromaterapeuta? Pessoas com dores e ainda quem sofra de ansiedade e depressão, responde Sandra Ramos, que aconselha sempre aos clientes que sejam acompanhados por um médico. “Outros terapeutas dizem: ‘Ou é uma coisa ou é outra.’ Eu digo que pode ser as duas, não faz sentido que não seja”, defende a ex-enfermeira.

A aromaterapia pode ser administrada de várias formas, embora a mais “prática” seja a de “aplicar uma gota num lenço que pode cheirar várias vezes ao longo do dia”. No entanto, os óleos também podem ser usados para massagens, inalações de vapor ou ser colocados em difusores. Podem ser usados por qualquer pessoa, desde que sejam administrados sob a orientação e o aconselhamento de um profissional especializado, aconselha a especialista.

Sandra Ramos não consegue identificar uma “contra-indicação generalista para [o uso] dos óleos”, mas refere que existem advertências a ter em conta. Por exemplo, alguém que sofra de hipertensão não deve usar óleos quentes, como o de canela; ou as grávidas não devem recorrer ao óleo de sálvia-esclareia”, porque pode provocar o parto. Cada óleo apresenta características específicas para diferentes condições: o óleo de lavanda é bom para quem tem insónias e o de tomilho para a psoríase. 

Outros usos

Os óleos podem ser extraídos de diferentes partes da planta: semente, flor, caule, casca, resina, folhas, fruto, com o objectivo de colher a sua “alma”, revela no livro. E é importante que sejam de “boa qualidade”, sublinha. “Não podem ter todos os mesmo valor. Quando o óleo de limão e o de lavanda têm o mesmo preço, algo está errado”, exemplifica, pois são precisos 750 quilogramas de lavanda para extrair 15 mililitros de essência; ao passo que para produzir o de limão basta usar as cascas de 50 limões.

Um frasquinho de essência pode também ajudar nas lides da casa e torná-las mais ecológicas e livres de químicos. Afinal, a aromaterapia também pode ser utilizada para confeccionar produtos de limpeza, e o custo chega, no máximo, aos 15 euros, informa Sandra Ramos, acrescentando que com este valor pode fazer “detergente para lavar o chão, multiusos, para a roupa, amaciador, produto para os móveis e um para limpar os vidros”. 

PÚBLICO -
Foto
Os óleos podem ser usados em produtos de beleza, saúde e higiene Nuno Ferreira Monteiro

Porém, o uso mais frequente é na área da beleza. No seu livro, a terapeuta sugere receitas práticas para fazer produtos de beleza mais económicos, como, por exemplo, um creme de contorno de olhos: “Óleo de coco derretido, seis cápsulas de vitamina E e cinco gotas de óleo essencial de frankincense. Não há melhor para o contorno dos olhos e ficará à volta de 0,50 cêntimos [a dose].” 

Texto editado por Bárbara Wong

Sugerir correcção