Diabéticos voltam às picadas no dedo. Dispositivo está esgotado nas farmácias

O sensor FreeStyle Libre, exclusivamente fabricado por empresa norte-americana, tem estado esgotado das farmácias desde que passou a ser comparticipado no ano passado.

Picada no dedo para medir os níveis de açúcar no sangue
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Picada no dedo para medir os níveis de açúcar no sangue MANUEL ROBERTO

Foi apresentado como um aparelho que mudaria a vida dos diabéticos: o aparelho médico FreeStyle Libre, da farmacêutica Abbott, vem munido de um sensor e evita as constantes picadas no dedo para medir a glicose. O que não se previa eram as dificuldades em adquirir o dispositivo. Segundo a edição desta segunda-feira do Jornal de Notícias (JN), o equipamento está quase sempre esgotado.

O dispositivo funciona com a ajuda de um sensor que é posto no braço e permite assim medir os níveis de glicose no sangue sem sujeitar os diabéticos à habitual picada no dedo. Este sensor, que pode ser adquirido nas farmácias com receita por 7,95 euros, dura 14 dias e está constantemente em falta nas farmácias; sem comparticipação, o produto está disponível online por 59,90 euros. Segundo o JN, as vendas online estão a ser recusadas a novos clientes e os antigos têm acesso a quantidades limitadas.

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O aparelho DR

“Há farmácias com espera superior a dois meses”, admite o Infarmed ao JN. As sucessivas falhas levaram ainda a Associação Nacional de Farmácias e a Associação de Farmácias de Portugal a fazer reclamações, até agora sem sucesso.

“Já nem sei o que dizer às pessoas”, admite ao JN a directora técnica da Farmácia Saúde, em Leça da Palmeira, dizendo estar “furiosa” com a empresa. Fez a última encomenda no final de Novembro – que não chegou – e, há dias, disseram-lhe que só estará disponível no final de Fevereiro. “Isto não se faz, estão a falhar com as farmácias, mas sobretudo com os doentes”, remata.

Também a presidente do Infarmed, Maria do Céu Machado, acredita que “o dispositivo está a ser rateado desde que entrou no mercado”, e acusa a empresa de estar a ter uma postura “comercial e não de saúde pública”. Como não há alternativas no mercado, o país fica “refém das condições da empresa”. Em resposta, a empresa norte-americana Abbott refere que existe uma “procura sem precedentes um pouco por todo o mundo” e que, por isso, tem vindo a aumentar a produção dos dispositivos.

Para interpretar os dados recolhidos pelos sensores descartáveis, é necessário um leitor dos níveis de glicose – este é de aquisição única e é cedido pelo Serviço Nacional de Saúde.

Em Janeiro de 2018, o Estado começou a comparticipar a 85% o medidor de glicose, através de receita médica. Têm direito os diabéticos tipo 1 (para crianças com mais de quatro anos e adultos) e alguns do tipo 2 (os que têm múltiplas injecções de insulina diárias).

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