Antigo militante da esquerda armada italiana capturado na Bolívia

Cesare Battisti foi condenado por quatro homicídios cometidos nos anos de 1970. Vivia no Brasil, de onde teve que fugir. A sua prisão é peça chave na nova estratégia internacional de Bolsonaro.

Foto
Cesare Battisti FERNANDO BIZERRA JR./EPA

O antigo militante da esquerda radical italiana Cesare Battisti, condenado no seu país a prisão perpétua por quatro homicídios na década de 1970, foi capturado na Bolívia, informou neste domingo a presidência brasileira.

Battisti passou vários anos refugiado no Brasil, com o apoio do ex-Presidente Lula da Silva, com o argumento de que o guerrilheiro foi perseguido pelas autoridades italianas. O anterior Presidente, Michel Temer, revogou em Dezembro a autorização de residência de Battisti – de imediato foi emitido um mandado de captura, que levou o italiano à fuga. E o novo chefe de Estado do país, Jair Bolsonaro, que tomou posse a 1 de Janeiro, disse que o Brasil iria extraditá-lo, conforme pedido pela Itália.

Filipe Martins, conselheiro de política externa de Bolsonaro, disse que Battisti "vai ser trazido para o Brasil muito em breve e enviado para Itália para cumprir a pena de prisão perpétua".

Porém, depois de uma conversa telefónica com Bolsonaro, o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, anunciou que Battisti seguia directamente da Bolívia para Itália. “Vai ser devolvido nas próximas horas”, disse Conte.

O deputado Eduardo Bolsonaro, um dos filhos de do Presidente brasileiro, publicou uma mensagem no Twitter dirigida ao ministro do Interior italiano, Matteo Salvini (líder da Liga, partido de extrema-direita): "O Brasil já não é uma terra de bandidos. O 'presente' vai a caminho. Ciao Battisti, a esquerda chora".

Battisti, de 64 anos, saiu do Brasil quando a sua autorização de residência foi revogada por Temer. Na altura, os seus advogados disseram que, se for entregue a Itália, vai sofrer "tortura" e morrerá.

Foi apanhado na Bolívia, com uma barba falsa.

Na década de 1970, Cesare Battisti foi membro do grupo radical armado de esquerda Proletários Armados pelo Comunismo, que cometeu atentados e crimes nos chamados Anos de Chumbo. Actuava sobretudo na região da Lombardia, Norte de Itália.

Foi preso e condenado em 1993 por quatro homicídios (de dois polícias, um joalheiro e um talhante) e condenado a prisão perpétua. Conseguiu fugir para França, de onde seguiu para o México e fixou-se no Brasil, onde tem um filho. Tornou-se autor de ficção com 15 livros publicados.

A prisão de Battisti é considerada uma peça central para Bolsonaro, que pretende alinhar a política externa do Brasil para a Europa com a Itália.

Nas redes sociais, Salvini, que é também vice-primeiro-ministro de Itália, celebrou a prisão de Battisti.