Saída de Pedro Marques para o PE obriga Costa a mini-remodelação

Primeiro-ministro está a fazer contactos, mas tudo indica que o actual ministro do Planeamento e das Infra-estruturas será substituído por um outro membro do Governo.

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Costa inclina-se para uma solução interna, a partir do actual elenco governativo ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA
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Costa no debate quinzenal nesta sexta-feira, sobre o Programa Nacional de investimentos 2030 MIGUEL A. LOPES/LUSA

A saída do ministro Pedro Marques do Governo para encabeçar a lista do PS às eleições europeias, marcadas para o último domingo de Maio, vai obrigar a uma mini-remodelação governamental. Ao que o PÚBLICO apurou, o primeiro-ministro, António Costa, quer reforçar a componente política no executivo e já terá feito contactos com vista à substituição do ministro do Planeamento e das Infra-estruturas que terá de deixar o Governo em breve para não ser acusado de andar a fazer campanha no âmbito das eleições europeias.

António Costa inclina-se para uma solução interna, encontrada dentro do próprio Governo, para ocupar a pasta do Planeamento e das Infra-estruturas. Os contactos estão a ser feitos de uma forma muito discreta para evitar fugas de informação, mas ao que foi possível apurar o primeiro-ministro pretende alguém com um perfil jovem e que tenha experiência política e governativa, indo, assim, ao encontro da linha de renovação geracional dos quadros políticos do PS que assumiu, na qualidade de secretário-geral do PS, no último congresso, na Batalha.

Oficialmente, o cabeça de lista socialista ao Parlamento Europeu (PE) será anunciado no dia 16 de Fevereiro, na convenção europeia do PS, mas o nome de Pedro Marques tem vindo a “ganhar força” no partido, como o PÚBLICO avançou nesta sexta-feira. Pedro Marques preenche os chamados critérios de peso que contam na decisão final de Costa: tem, desde logo, experiência política e governativa, nomeadamente em questões europeias. A escolha do cabeça de lista às europeias é da responsabilidade do secretário-geral do PS que há bastante tempo decidiu que o cabeça de lista do PS ao PE seria Pedro Marques, que terá dado sinais de querer sair do Governo.

Como ministro do Planeamento e das Infra-estruturas é Pedro Marques quem tem assegurado a gestão dos fundos comunitários e foi ele quem fez a preparação e coadjuvou o primeiro-ministro na negociação do novo programa financeiro e orçamental da União Europeia, ou seja, as verbas que caberão a Portugal, no âmbito do quadro de apoio de fundos comunitários para a década 20-30.

Por outro lado, o governante tem experiência neste domínio. Como secretário de Estado da Segurança Social, entre 2005 e 2011, esteve ligado à gestão dos fundos comunitários neste sector da governação. E ao longo dos anos tem trabalhado com António Costa e também com António Vitorino, na defesa da ideia de que a União Europeia deve não só manter, mas mesmo reforçar a capacidade orçamental da zona euro para haver convergência entre Estados-membros, tese que foi aprovada no último Conselho Europeu.

Membro do secretariado nacional do partido, Pedro Marques preenche igualmente outros critérios de peso na decisão final que António Costa tomará. Entre eles a experiência política e governativa, nomeadamente em questões europeias, mas também a proximidade política do líder.

Com as eleições europeias no horizonte, Pedro Marques começou a ganhar grande visibilidade nas últimas semanas, percorrendo o país ao lado do primeiro-ministro para anunciar novos investimentos para o país. António Costa e Pedro Marques começaram a primeira semana do ano de 2019 no Norte do país, no Marco de Canaveses com o lançamento do concurso para a compra de 22 novos comboios na agenda. Em causa está um investimento de 168 milhões de euros, mas o valor total do bolo de investimento anunciado pelo Governo foi de 24 mil milhões: da ferrovia ao novo aeroporto do Montijo.

E Assis?

Como o PÚBLICO já noticiou, a lista do PS às eleições europeias contará com os eurodeputados Carlos Zorrinho, Pedro Silva Pereira e Maria João Rodrigues. Quem também deverá continuar no Parlamento Europeu é Liliana Rodrigues, eleita pela Madeira. De saída, estão: Ana Gomes, por vontade própria, e Manuel dos Santos. O antigo secretário de Estado da Saúde e líder da distrital o PS-Porto, Manuel Pizarro, vai integrar, pela primeira vez, a lista às europeias, que contará com uma representante dos Açores.

Quem parece estar mesmo de saída é Francisco Assis, que liderou a lista socialista ao PE nas últimas eleições. Ao PÚBLICO, o eurodeputado declara que, "tendo em conta a profunda divergência" com a direcção do partido, acerca da actual solução governativa, não poderia voltar a ser cabeça de lista, "por uma questão de seriedade". Reafirma, contudo, a sua vontade de se manter no PS e já fala da passagem por Bruxelas e Estrasburgo no pretérito perfeito: "Gostei imenso de ter estado no Parlamento Europeu", diz Assis, ressalvando que ainda ninguém falou com ele e que "há muita especulação" à volta da lista.