Opinião

Cartas ao director

Expansão da rede do metro de Lisboa

A propósito do lançamento do concurso para a expansão do metro, gostaria de dizer que uma linha circular só se justifica quando é atravessada por um número significativo de linhas transversais, de modo a permitir caminhos alternativos em caso de avaria. A fiabilidade de uma linha circular é sempre inferior à fiabilidade das duas linhas independentes equivalentes e a sua regulação pior.

Não é portanto a solução fundamental para a mobilidade em Lisboa, contrariamente às afirmações do primeiro-ministro, ministro do Ambiente e presidente da CML. Nenhum destes decisores ou seus assessores tem experiência em operação ou manutenção de redes de metropolitano e infelizmente não atenderam as críticas ao plano de expansão de 2009 que inclui a linha circular, desde o seu aparecimento e desde que em 2016 foi decidido retomá-lo.

Não foi considerado o parecer da maioria dos técnicos de engenharia do próprio metro, nem as críticas numa sessão na Ordem dos Engenheiros. Não é igualmente válido o argumento de que os estudos demonstraram que a linha circular era a melhor solução porque não foi comparada com o prolongamento a Alcântara ou a Algés. Nem o argumento dos transbordos, quando as entradas e saídas nas estações de Odivelas a Quinta das Conchas superam as da estação Cais do Sodré. Como disse uma passageira entrevistada na TV, os prolongamentos devem fazer-se para as periferias com parques de estacionamento dissuasores.

Resta portanto a esperança que a Assembleia da República ou o Conselho Superior de Obras Públicas evitem este erro.

Fernando Santos e Silva, Lisboa

Uma boa Peça
Relevante o trabalho jornalístico de Liliana Valente no PÚBLICO de 11 de Janeiro sobre o médico de Évora que recusou transportar doentes estando ao serviço no INEM. Do que se leu é de se ficar apreensivo sobre o trabalho desenvolvido pelo médico António Peças que segundo as provas recolhidas pelo instrutor do INEM, essas mesmas provas foram suficientes para propor o fim do contrato com o dr. Peças, com efeitos a partir de 1 de Fevereiro.
O processo irá agora tramitar para a IGAS e para a Ordem dos Médicos. Que essas instituições analisem e se chegarem à conclusão que o dr. Peças está a ser vítima de perseguição ou de uma qualquer sinistra cabala que o reabilitem e seja ressarcido, o pobre do homem. Caso contrário, que lhe retirem a carteira profissional e seja, exemplarmente, castigado.
Um médico que é conhecido no INEM “por ser de trato difícil” — o que é abonatório — e que numa conversa mantida com uma colega do CODU — acerca de uma urgência em que estava em perigo uma mulher de 37 anos — no desenrolar da dita conversa afirmou “que nunca me nego a nada, acho isto uma cagada”, é uma boa Peça, revelando uma cristalina vernaculidade de linguagem. Em situações de urgência.
António Cândido Miguéis, Vila Real