Trump diz que declaração de emergência nacional não é "para já"

Mantém-se o impasse nos EUA. Não há acordo à vista entre Trump e a oposição democrata, que recusa financiar a construção do muro na fronteira com o México, e prossegue o shutdown governamental.

Foto
Donald Trump durante uma visita à fronteira dos EUA com o México Reuters/LEAH MILLIS

O Presidente norte-americano Donald Trump disse esta sexta-feira que não vai declarar "para já" o estado de emergência nacional com que visa contornar o impasse e avançar a construção de um muro na fronteira com o México para conter a imigração ilegal, uma das suas principais promessas eleitorais, mesmo sem a aprovação do Congresso.

"Nós queremos que o Congresso faça o seu trabalho. O que não queremos agora é o estado de emergência nacional", disse o Presidente norte-americano durante uma reunião, na Casa Branca, sobre segurança fronteiriça.

Trump tem descrito repetidamente a situação na fronteira entre os Estado Unidos e o México como uma "crise humanitária" e uma ameaça à segurança nacional — durante o dia, e através da rede social Twitter, falou mesmo de uma "invasão" em curso — e tem ameaçado recorrer a uma declaração de emergência nacional para contornar a recusa do Congresso em financiar a construção da barreira. 

O conflito entre republicanos e democratas levou a um shutdown ​parcial do governo norte-americano que dura há mais de duas semanas. Trump recusa ratificar o projecto de lei para financiar os serviços públicos por este não incluir verbas de quase seis mil milhões de dólares (quase cinco mil milhões de euros) para a construção do muro. A partir deste sábado, o shutdown tornar-se-á no mais longo da história do país. 

A líder da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, já repetiu várias vezes que o Partido Democrata não vai aprovar "nem um dólar" para a construção do muro, que descreve como uma solução "imoral" e "medieval", e um desperdício de fundos públicos.

O estado de emergência nacional possibilitaria a Trump desviar dinheiro de outros projectos para pagar pelo muro, uma vez que deixaria de precisar do aval do Congresso, onde os democratas dominam a Câmara dos Representantes. 

De momento, e enquanto o shutdown prossegue, centenas de milhares de funcionários públicos norte-americanos são obrigados a permanecer em casa ou a trabalhar sem salário garantido. Face às despesas familiares e a obrigações como o pagamento de empréstimos bancários, muitos já se despediram. Na última semana, o número de pedidos de subsídio de desemprego subiu em vários estados. O encerramento parcial dos serviços públicos norte-americanos afecta 25% das agências governamentais, abrangendo um total de 800 mil funcionários.