Cristas assume que "mais importante" do que ganhar eleições é conseguir maioria dos deputados

Presidente do CDS respondeu às palavras do líder da Aliança, Pedro Santana Lopes, que desafiou os partidos que não apoiam o executivo socialista a formar um "acordo pós-legislativas" que derrote António Costa.

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LUSA/MIGUEL A. LOPES

A líder do CDS-PP, Assunção Cristas, considerou nesta sexta-feira que "mais importante" do que ficar em primeiro lugar nas próximas legislativas é conseguir uma maioria de 116 deputados que viabilize um Governo.

"Neste momento, mais importante do que discutir quem é que fica em primeiro lugar nas eleições, e por essa razão passará a ser primeiro-ministro, ou primeira-ministra, é preciso discutir quem é que consegue juntar 116 deputados no parlamento, que em princípio virão de mais do que um partido", disse Assunção Cristas aos jornalistas.

A presidente do CDS fez estas declarações no final da sua intervenção na primeira Convenção da Europa e da Liberdade, organizada pelo Movimento Europa e Liberdade (MEL), e que decorreu esta manhã em Lisboa.

Cristas foi instada a comentar as palavras do líder da Aliança, Pedro Santana Lopes, que, no mesmo local, desafiou os partidos que não apoiam o executivo socialista a formar um "acordo pós-legislativas" que derrote António Costa e viabilize um novo Governo.

"A opção que admitimos, ou seja, a de um acordo pós-legislativas, pressupõe naturalmente o que parece muito difícil hoje em dia, mas que tem o nosso empenho. Que as forças do centro-direita assumam a vontade e o propósito de viabilizarem conjuntamente a formação de um Governo patriótico, que inicie um novo ciclo político, económico e social", assinalou Santana na intervenção que fez na mesma convenção.

Em resposta, Assunção Cristas destacou que "o CDS tem sido muito claro dizendo que o espaço onde se revê é no espaço político de centro-direita".

"O que significa que, depois das eleições, naturalmente, assim o espero, se for possível juntarmos 116 deputados no espaço político centro-direita, com certeza que teremos todas as condições para governar o país e para conversarmos no sentido dessa governação", afirmou.

A líder do CDS-PP recusou comentar a crise de liderança do PSD, considerando que "não seria elegante", e sublinhou que o seu foco está no partido que lidera.

"Eu não faço nenhum comentário sobre questões internas de nenhum partido político, muito menos de um partido amigo, que tem uma história com o CDS, e que certamente, no futuro, também poderá vir a ter", começou por dizer Cristas aos jornalistas.

"Eu sou líder do CDS, a minha preocupação tem de ser com o CDS", destacou, assinalando que "cada um tratará das suas questões".

Lembrando já ter convivido com Pedro Passos Coelho, e agora com Rui Rio enquanto presidentes do PSD, Cristas apontou que "certamente" a preocupação dos dois partidos é "ser o melhor para o país".

"E o melhor para o país, no nosso entender, é trabalhar para contribuir mais activamente e mais significativamente para 116 deputados no espaço político de centro-direita. Essa é a minha preocupação, é aumentar a contribuição do CDS para uma mudança, para uma verdadeira alternativa política", advogou.