Com escassas hipóteses de sucesso, a oposição venezuelana estuda formas de afastar Maduro

Assembleia Nacional organizou encontro público, um dia depois de Nicolas Maduro, a quem chama ditador, ter tomado posse

Protesto contra Maduro junto à embaixada venezuelana no Chile
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Protesto contra Maduro junto à embaixada venezuelana no Chile EPA/ALBERTO VALDES

O Parlamento venezuelano, controlado pela oposição, organizou um encontro público nesta sexta-feira para discutir formas de derrubar Nicolas Maduro, apenas um dia depois de o Presidente ter dado início a um contencioso segundo mandato. Porém, os esforços têm baixa probabilidade de serem bem-sucedidos.

Maduro foi reeleito no ano passado em eleições consideradas pela oposição e parte da comunidade internacional (União Europeia, Estados Unidos e União dos Estados Americanos) fraudulentas – em protesto, a oposição boicotou a ida às urnas – e vários países declararam como ilegítima a sua liderança. Os líderes do Partido Socialista Unido da Venezuela descreveram as críticas como uma interferência colonial promovida pelos Estados Unidos.

Nos últimos 20 anos, a eternamente dividida oposição realizou várias tentativas falhadas para derrubar os socialistas bolivarianos. O Supremo Tribunal e um poderoso Parlamento alternativo, a Assembleia Constituinte, retiraram à Assembleia Nacional dominada pela oposição os seus poderes, o que significa que não tem a capacidade para destituir o Presidente, como acontece em muitos países. De qualquer forma, a oposição garantiu que vai manter a pressão.

“A transição começou”, declarou o presidente da legislatura, Juan Guaido, através do Twitter. “Nicolas Maduro é totalmente ilegítimo.” Na quinta-feira, Guaido apelou às Forças Armadas para que recusasse Maduro, mas o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, e os comandantes no topo da hierarquia militar apoiaram Maduro numa cerimónia logo após a sua tomada de posse, onde lhe juraram lealdade.

Os críticos de Maduro acusam-no de ter imposto uma ditadura e de ter destruído a economia. A Venezuela atravessa a pior crise económica na sua história, com a inflação a aproximar-se dos dois milhões por cento ao ano e depois de perto de três milhões de pessoas terem saído do país onde enfrentavam uma escassez crónica de comida básica e medicamentos.

Maduro, por seu lado, diz que o país é vítima de uma “guerra económica” promovida pelos seus adversários políticos com o apoio de Washington.

Os esforços da oposição para derrubar Maduro afundaram-se. A comissão eleitoral, pró-governamental, travou um plano em 2016 para convocar um referendo com o objectivo de destituir o Presidente. Mais de 120 pessoas foram mortas durante os protestos de rua que duraram quatro meses em 2017, mas que acabaram por enfraquecer.