Lugar do Olhar Feliz é o produtor do ano nos Prémios Mesa Marcada

Ann e Jean-Paul Brigand, que têm no Alentejo uma colecção com mais de 350 variedades de citrinos, foram os escolhidos por um conjunto de chefs.

Ann e Jean-Paul Brigand no Lugar do Olhar Feliz
Foto
Ann e Jean-Paul Brigand no Lugar do Olhar Feliz dr

Os Prémios Mesa Marcada, que distinguem anualmente os melhores chefs e os melhores restaurantes de Portugal, serão anunciados no dia 21, mas um prémio especial foi já antecipado: o Lugar do Olhar Feliz, projecto do francês Jean-Paul Brigand, e da canadiana Ann Brigand, foi o escolhido por um conjunto de chefs como o melhor produtor do ano.

O produtor de citrinos, situado no Cercal, Alentejo, é o vencedor do Prémio Maria José Macedo – Produtor/Fornecedor do Ano. Este é um projecto único, iniciado em 2005 por este casal apaixonado por citrinos (e não só, têm também, entre várias outras culturas, uma colecção de romãzeiras). Ao longo do tempo conseguiram reunir mais de 350 variedades de citrinos vindos de diferentes pontos do mundo, para além de 120 variedades de romãs, 50 tipos de amoras, 40 espécies de dióspiros, figos raros e vegetais asiáticos.

Nunca quiseram produzir em grande escala e preferem manter alguma discrição, mas muitos chefs aprenderam já o caminho para o Lugar do Olhar Feliz, onde recebem sempre uma verdadeira aula prática sobre citrinos, conhecidos e desconhecidos, e de onde regressam com frutos exóticos e perfumados (é com a bergamota do Lugar do Olhar Feliz que Sebastian Filgueiras, da Companhia Portugueza do Chá, produz o Earl Grey Portugal).

Mantendo-se pouco mediáticos, Jean-Paul e Ann gostam, contudo, de partilhar o seu conhecimento e têm-no feito com jovens agricultores interessados em explorar o potencial deste tipo de culturas. É o caso de Vera Pádua e João Rosado, da Amareleja, que já produzem, com sucesso, yuzu, sudachi e butan (uma toranja japonesa). Também Miguel Santos, no Cercal, se tornou, com a ajuda do casal Brigand, o maior produtor de folhas de lima kaffir na Europa, de acordo com os organizadores dos Prémios Mesa Marcada.

PÚBLICO -
Foto
DR

Criado no ano passado, o prémio agora anunciado tem o nome de uma produtora que se distinguiu pelo seu trabalho na agricultura biológica de pequena escala, Maria José Macedo, da Quinta do Poial, em Azeitão, falecida em 2016. O objectivo dos autores do blogue sobre gastronomia Mesa Marcada, Miguel Pires e Duarte Calvão, é o de valorizar o trabalho, muitas vezes esquecido, dos produtores, que são fundamentais para que possa existir uma gastronomia de qualidade.

Neste caso, e ao contrário do que acontece com o top de cozinheiros e restaurantes votado por cerca de 200 pessoas, a escolha é feita por um grupo restrito de chefs, os que foram vencedores do Top 10 nos últimos cinco anos e os que receberam prémios especiais. Em 2018, os votantes foram: Hans Neuner, Miguel Rocha Vieira, Leonel Pereira, André Magalhães, Vítor Sobral, Pedro Lemos, Dieter Koschina, José Avillez, Vasco Coelho Santos, Rodrigo Castelo, João Rodrigues, Joachim Koerper, Henrique Sá Pessoa, Pedro Pena Bastos, Vincent Farges, Alexandre Silva, Vítor Matos, Kiko Martins, António Bóia e João Oliveira.