Biblioteca Vasco Graça Moura chega ao Porto e pode ser consultada após o Verão

Espólio literário do escritor foi depositado pela família na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Abertura ao público faz parte do programa do centenário da instituição, criada a 27 de Agosto de 1919.

Vasco Graça Moura
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Vasco Graça Moura Nuno Ferreira Santos

Os livros da biblioteca e arquivo do poeta, ensaísta e pensador Vasco Graça Moura (1942-2014) chegaram esta semana ao Porto e o espólio vai estar disponível ao público no fim do Verão, disse esta sexta-feira à Lusa fonte oficial.

“Os livros do Vasco Graça Moura vieram para o Porto exactamente esta semana, temos aí o depósito”, avançou à Lusa a directora da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP), Fernanda Ribeiro, numa entrevista telefónica no âmbito das celebrações do 100.º aniversário desta instituição.

A 1 de Abril de 2016, a FLUP e a família de Vasco Graça Moura assinaram um contrato de depósito naquela faculdade, em regime de comodato, da biblioteca e arquivo daquele poeta, ensaísta, romancista e pensador português.

“Seguramente, após o Verão, vamos ter a abertura do Centro de Estudos da Cultura em Portugal da Universidade do Porto, que será instalado no edifício do Campo Alegre, no Palacete Burmester – que está ainda em obras que esperamos estejam terminadas agora em Março –, onde vamos instalar o centro que foi originado pela entrega à FLUP da Biblioteca Vasco Graça Moura”.

Na entrevista à Lusa, Fernanda Ribeiro avançou também que o espólio da primeira FLUP, que conta com “colecções egípcias, múmias e vasos gregos” que estavam num barco alemão aprisionado após a I Guerra Mundial, vai poder ser visto a partir de Setembro próximo, no edifício da Reitoria da Universidade do Porto, em duas salas do Museu de História Natural e Ciência.

“O acervo, enviado pelos museus de Berlim em troca de uma colecção assíria aprisionada no contexto da I Guerra Mundial, vai ser estudado e criteriosamente seleccionado por especialistas nacionais e estrangeiros para a exposição”, tendo, designadamente, como “comissários científicos” os professores Rui Centeno e Rui Morais, do Departamento de Ciências e Técnicas do Património da FLUP, lê-se no sítio da Internet da faculdade.

As comemorações do centenário da FLUP, entidade criada oficialmente a 27 de Agosto de 1919, arrancam no próximo dia 18 de Janeiro, às 18h00, no seu anfiteatro nobre, com a sessão inaugural do ciclo Conferências do 19 e a Conferência FLUP – 1919: a ideia, o projecto de transferência, a criação de uma nova faculdade”, por Jorge Fernandes Alves, catedrático do Departamento de História e de Estudos Políticos e Internacionais da faculdade.

No mesmo dia 18 de Janeiro é inaugurada a exposição 20 Anos do Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa, e que vai ficar patente até ao início de Março, no átrio da entrada principal e na Biblioteca Central da FLUP.

A ideia é “festejar os 100 anos da FLUP”, mas também “projectar a faculdade para o exterior, para a cidade, para reforçar o papel da Faculdade de Letras e o seu papel social”, explica Fernanda Ribeiro. “Sobretudo projectar a faculdade no sentido de contrariar até uma ideia de que as humanidades não têm grande utilidade social”, concluiu aquela responsável.