CGTP promete intensificar as acções de luta no primeiro trimestre

Plenário de sindicatos da CGTP marcou manifestação para dia da votação do Código do Trabalho no Parlamento e exige aumentos mínimos de 40 euros.

No final do plenário, os dirigentes da CGTP foram ao Ministério do Trabalho entregar a resolução aprovada
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No final do plenário, os dirigentes da CGTP foram ao Ministério do Trabalho entregar a resolução aprovada LUSA/MÁRIO CRUZ

A CGTP (Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses) aprovou nesta quinta-feira, em plenário, a intensificação das acções de luta entre Janeiro e Março e vai marcar uma manifestação para o dia em que as alterações à legislação laboral forem votadas no Parlamento (ainda sem data marcada). Além disso, exige o aumento geral dos salários em, pelo menos, 4%, com um acréscimo mínimo de 40 euros.

“O plenário de sindicatos da CGTP aprovou a convocação de uma concentração no dia em que a proposta de lei [que altera o Código do Trabalho] for apresentada para votação na Assembleia da República”, disse o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, em declarações à Lusa.

De acordo com o responsável, a intersindical vai alertar os deputados para “a necessidade de reflectirem sobre eventuais inconstitucionalidades” da proposta, que “não podem deixar de merecer o repúdio e a rejeição” do Parlamento.

Arménio Carlos apelou ainda ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, para que vete o diploma, caso este seja aprovado.

Em causa, está a proposta de lei nº 136/XIII que visa, entre outros pontos, limitar as possibilidades legais de uso de contratos de trabalho a termo, desincentivar o recurso ao trabalho não declarado nos sectores com actividade sazonal, promover um maior dinamismo da contratação colectiva, mas também alargar o período experimental e permitir o uso mais frequente dos contratos de muito curta duração.

Para a CGTP, este diploma “conflitua com a Constituição da República Portuguesa”, nomeadamente, no que respeita ao período experimental.

Adicionalmente, a central sindical acordou “continuar a avançar com a luta”, em todos os sectores de actividade, nos próximos meses.

“Vai-se intensificar a luta quer no sector privado, quer no sector público, numa lógica de exigência de resposta às reivindicações dos trabalhadores, onde o aumento dos salários vai ser uma referência central”, afirmou Arménio Carlos.

Segundo a resolução aprovada, que foi, posteriormente, entregue no Ministério do Trabalho, em Lisboa, a CGTP defende o aumento geral dos salários em 2019 em, pelo menos, 4%, com acréscimo não inferior a 40 euros por mês e a fixação do salário mínimo nacional em 650 euros.

A intersindical exige também a reposição e melhoria da retribuição do trabalho normal em dia feriado, do trabalho em regime de turnos e nocturno; a garantia de dois dias de descanso semanal consecutivos; o aumento das pensões de reforma, bem como a rejeição da desregulação dos horários de trabalho e a sua redução para as 35 horas semanais.

“Portugal precisa de uma política de esquerda e soberana que promova o avanço nos direitos, valorize os trabalhadores, rompa com o modelo de baixos salários, com o trabalho precário e com as normas gravosas da legislação laboral”, lê-se no documento.