Fundação Oceano Azul lança programa-piloto em escolas do município de Mafra

Com a ajuda de um manual escolar sobre o oceano, iniciativa pretende integrar no ensino básico noções sobre a importância e a conservação dos oceanos.

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Acção de formação de professores sobre literacia do oceano DR

A Fundação Oceano Azul lança esta quinta-feira um programa-piloto em escolas do município de Mafra para que as próximas gerações compreendam a importância do mar. Chamado Educar para uma Geração Azul e resultando de uma parceria entre a fundação e o Oceanário de Lisboa com a Direcção-Geral da Educação, o programa é apresentado às 17h30 na Escola Secundária José Saramago, em Mafra – município onde irá abranger quase 4000 alunos do 1.º ciclo. Ainda em Janeiro, o programa-piloto estender-se-á ao município de Cascais.

Segundo explica em comunicado a Fundação Oceano Azul (criada em 2017 pela Sociedade Francisco Manuel dos Santos, o principal accionista do grupo Jerónimo Martins, dono do Pingo Doce), o programa pretende que as temáticas sobre o oceano sejam trabalhadas nos currículos de Português, Matemática e Estudo do Meio do 1.º ciclo do ensino básico. Para isso, esta fundação e o Oceanário de Lisboa criaram um manual escolar sobre o oceano, com apoio e validação da Direcção-Geral da Educação, abordando áreas do conhecimento sobre o oceano transversais a várias matérias, como a literatura, a ecologia, o direito, a estratégia, geografia, economia, história e a física e a química.

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O manual escolar

Intitulado Oceano, Educar para uma Geração Azul, o manual destina-se aos professores, que são “os principais dinamizadores desta iniciativa”. Para já, envolve cerca de duas dezenas de escolas do município de Mafra e 180 professores já participaram, no início deste ano lectivo, numa acção de formação sobre estratégias para integrar a literacia do oceano na educação para a cidadania.

Outros quatro municípios

Ao longo do manual encontramos oito capítulos principais, com as seguintes questões: “Como é o oceano?”, “Porque é importante o oceano?”, “Quanto vale o oceano”, “Como influenciou o oceano a humanidade”, “Quem é dono do oceano”, “Porque é especial o mar de Portugal?”, “Como se protege o oceano?” e “O que há por descobrir no oceano”.

Além de muitas curiosidades, há sugestões de actividades. Um exemplo: na actividade “Mãe, encolhi os plásticos”, o objectivo é identificar a presença de microplásticos num produto de higiene ou cosmética, no âmbito do Estudo do Meio. “Sugira aos alunos que tragam de casa produtos de cosmética ou higiene”, recomenda-se aos professores.

“O oceano é explicado aos alunos através de actividades práticas e lúdico-pedagógicas, incentivando a realização de trabalho de campo nas zonas costeiras de Portugal, indo ao encontro das novas tendências da educação, que privilegiam o ensino de temas transversais, através de experiências dentro e fora da sala de aula”, resume o comunicado de imprensa.

“É importante transmitir às crianças do 1.º ao 4.º ano de escolaridade uma ideia do oceano diferente da que têm, porque mais profunda e porque lhes explica que a vida delas está umbilicalmente ligada à vida do oceano – a começar no oxigénio que respiram, na água que bebem, ou nos alimentos que comem”, escreveu num dos prefácios do manual José Soares dos Santos, presidente do conselho de administração do Oceanário de Lisboa e da Fundação Oceano Azul e que estará esta quinta-feira na cerimónia de lançamento do programa-piloto na Escola Secundária José Saramago, tal como Tiago Pitta e Cunha, presidente da comissão executiva da Fundação Oceano Azul, o secretário de Estado da Educação, João Costa, e o presidente da Câmara Municipal de Mafra, Hélder de Sousa Silva. “A aposta na literacia do oceano decorre da visão que a fundação tem sobre a necessidade de a nossa sociedade mudar a sua relação com a natureza e com o mar”, acrescenta, num segundo prefácio, Tiago Pitta e Cunha.

Além do município de Cascais, onde serão abrangidos cerca de 480 professores e 9300 alunos, até ao final do ano deverão juntar-se a este programa os municípios da Nazaré, Portalegre e Peniche. No total, no final do ano serão abrangidos cerca de 860 professores e 15.400 alunos do 1.º ciclo do ensino básico.

Para testar já os conhecimentos sobre o oceano, deixamos algumas perguntas do manual: “Quando se fizeram os piratas ao mar” e, em relação a Portugal, “porque temos pouca terra e muito mar”?