Rio recusa comentar movimentações internas mas responde a Montenegro

Líder social-democrata disse que o partido está disponível para discutir investimentos com o Governo, mas que primeiro vai ouvir os autarcas. E reiterou a oposição ao fim das propinas no superior.

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LUSA/CARLOS BARROSO

O presidente do PSD recusou comentar nesta quarta-feira a realização de uma reunião entre vários dirigentes de distritais do partido onde foi avaliada a possibilidade de se iniciar um processo de destituição do líder. “Não vou comentar”, declarou no final de uma reunião da comissão política nacional, onde disse que o assunto não foi debatido. 

Sobre as declarações de Luís Montenegro, ex-líder parlamentar social-democrata que acusou Manuela Ferreira Leite de não se importar que o partido fique “cada vez mais pequenino”, Rui Rio disse apenas que “o PSD não é um partido pequenino”.

Montenegro reagia na TSF às declarações de Ferreira Leite, na mesma rádio, nas quais considerou preferível o PSD ter “pior resultado” eleitoral do que ficar com um “rótulo de direita”. 

“Eu creio que há pessoas no PSD, como fica claro com esta declaração, que não se importam que o partido seja cada vez mais pequeno, mais pequenino, pequenino mesmo”, disse Montenegro.

"Quero dizer que isto é muito elucidativo do estado a que chegou o PSD. Não quero hoje dizer mais do que isso. Quero dizer que em breve, muito em breve, falarei sobre o estado do PSD, falarei mesmo sobre o futuro do PSD, porque entendo que este estado de coisas tem que acabar. Tem que mudar. O PSD assim não se vai conseguir afirmar", acrescentou, numa declaração que pode ser entendida uma antecâmara de um desafio directo a Rio.

Esta quarta-feira, Rio recusou ainda comentar a realização da convenção do Movimento Europa e Liberdade (MEL), que reunirá em Lisboa diversos críticos à direita do líder do PSD.

PSD quer ouvir autarcas sobre investimento

Na conferência de imprensa após a reunião da comissão política, Rio disse que o partido está disponível para discutir com o Governo o plano nacional de investimento “se a proposta for séria”.

“Se é para aprovar uma coisa à pressa para esconder o falhanço do governo na aplicação do plano anterior, não peçam para o PSD estar disponível para isso”, disse. “Se querem uma coisa bem feita e bem estruturada, então nós precisamos de algum tempo”, afirmou, anunciando que o partido irá iniciar um processo de consultas junto de autarcas para um levantamento de propostas.

Rio defende que, mais do que grandes investimentos, há “alguns pequenos investimentos que podem ter um grande efeito multiplicador sobre efeitos grandes já realizados”, apontando como exemplo obras de menor dimensão de ligação a auto-estradas ou linhas ferroviárias.

O líder do PSD reiterou ainda as críticas à baixa taxa de execução do anterior plano, questionando “quais as razões para o falhanço deste Governo em matéria de investimento público”, e perguntando “como é que vamos adaptar o OE para fazer seis vezes mais do que aquilo que foi feito”.

Posição sobre propinas é a “de sempre”

Por fim, Rio reiterou ainda que o PSD é contrário ao fim das propinas no ensino superior, recordando que a posição do partido é “a posição de sempre”: “Nós entendemos que temos de pagar propinas”.

Rio concordou com a necessidade de uma “estratégia” para evitar que estudantes fiquem de fora das universidades por razões financeiras, mas que “isso faz-se em sede de apoios sociais”.

“Não vejo razão para alguém que pode pagar deixe de pagar quando para alguém é relativamente pouco o que tem de pagar”, disse, criticando a estratégia do “agora é borla para todos, para quem pode e para quem não pode”.

“Em época eleitoral, é capaz de ter algum efeito. Não é a nossa forma, nunca foi”, disse.

Na terça-feira, David Justino, vice-presidente do PSD, lembrou que foi Marcelo Rebelo de Sousa, enquanto líder do PSD, que deu aval à subida das propinas do ensino superior através de um “acordo de regime” com o Governo do PS então liderado por António Guterres. Marcelo mostra-se agora favorável ao fim das propinas, que se tornou nova bandeira do Executivo de António Costa.

Já esta quarta-feira, o Presidente da República veio esclarecer a evolução da sua posição, afirmando que "a experiência destes últimos vinte anos mostra que o país não recuperou o seu atraso nas qualificações como seria desejável, daí a necessidade de se enfrentar a questão de estrangulamento na passagem do ensino secundário para o ensino superior".