Líder dos Verdes alemães abandona redes sociais devido a clima de ódio

Robert Habeck falou de um clima de ódio e da sua própria atitude. Apagou as suas contas no Facebook e no Twitter.

Robert Habeck foi eleito co-líder dos Verdes há quase um ano
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Robert Habeck foi eleito co-líder dos Verdes há quase um ano FOCKE STRANGMANN/EPA

Denunciando um clima de ódio, o co-líder dos Verdes alemães, Robert Habeck, anunciou que se retira das redes sociais e apagou a sua conta no Facebook e no Twitter.

Os Verdes são o partido do momento na Alemanha, tendo subido nas sondagens e sendo visto como o concorrente directo ao partido Alternativa para a Alemanha (AfD), de direita radical. Habeck disse que se retirava falando de um clima de ódio nas redes sociais e dizendo que ele próprio se tornava mais agressivo ao usar o Twitter.

Antes admitiu, no entanto, ter cometido um pequeno erro quando, num vídeo, disse sobre eleições no estado federado da Turíngia: “Vamos tentar fazer tudo para que a Turíngia seja um estado aberto, livre, liberal, democrático, e ecológico.” Foi rapidamente questionado sobre se queria dizer que o estado não é livre ou democrático. O social-democrata Carsten Schneider, que é da Turíngia, respondeu atrás do Twitter com uma pergunta irónica: “Em que prisão tenho eu vivido nos últimos anos?”  

Mais tarde, Habeck explicou que se tratara de um “pequeno erro”: não queria dizer que o estado “se tornasse” democrático, mas sim que “se mantivesse”. A Turíngia, estado da antiga República Democrática Alemã, é dirigida pelo partido Die Linke, herdeiro do antigo partido único, em coligação com o Partido Social Democrata (SPD) e os próprios Verdes.

Esta não foi a primeira vez que Habeck provocou alguma comoção com um tweet: há três meses, tinha-se congratulado por “finalmente” haver “democracia de novo na Baviera”, após as eleições em que a CSU perdeu a maioria absoluta. O partido governa o estado federado do Sul, um dos mais ricos da Alemanha, desde os anos 1950 e é sempre o partido mais votado, acumulando algumas maiorias absolutas e sendo o partido que chefia o governo sem interrupção desde 1958. Entre o total de chefes de governo da CSU desde 1945, apenas um não foi da CSU.

Outra razão invocada por Habeck para sair das redes sociais foi o ataque informático que retirou informação privada dos perfis de vários políticos e figuras públicas e a divulgou.

Habeck foi dos políticos que tiveram mais informação divulgada, incluindo chats privados com a mulher e filhos e o número do seu cartão de crédito.

O responsável pelo ataque confessou na segunda-feira o crime. O homem de 20 anos, de quem se sabe que estuda, vive com os pais e é do estado do Hesse, disse que o motivo do ataque não foi político. Fê-lo por estar “zangado” com as figuras cujos dados divulgou  – além de humoristas, havia políticos de todos os partidos, excepto da AfD.