Alerta na indústria alemã agrava sinais de abrandamento da economia mundial

Banco Mundial reviu em baixa previsões de crescimento do globo no mesmo dia em que, na Alemanha, a indústria surpreendeu pela negativa.

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Produção industrial alemã registou quebra em Novembro Reuters/ALBERT GEA

O ambiente está mais calmo nos mercados, com as principais bolsas a recuperarem de parte das perdas registadas no final do ano passado, mas a economia mundial continua a dar sinais de claro abrandamento, forçando o Banco Mundial a rever novamente em baixa as suas previsões e colocando a Alemanha, a maior economia da zona euro, sob a ameaça de uma recessão.

Esta terça-feira, as más notícias começaram com a divulgação da produção industrial na Alemanha, um indicador importante para aferir o desempenho de uma economia que é fortemente dependente da sua indústria exportadora. Os resultados surpreenderam pela negativa e puseram os analistas a recalcularem a dimensão do abrandamento económico que se está a verificar na Alemanha.

A produção industrial no país caiu 1,9% em Novembro face ao mês imediatamente anterior. Este número ficou muito longe do crescimento de 0,3% que era previsto em média pelos analistas, fazendo com que as expectativas relativas à evolução do Produto Interno Bruto (PIB) alemão no quarto trimestre, que será conhecida na próxima semana, se tenham deteriorado consideravelmente.

Depois de ter contraído 0,2% no terceiro trimestre passou a agora a ser possível que, no quarto trimestre do ano passado, a economia alemã tenha estagnado ou mesmo registado uma variação negativa do PIB. Uma economia é classificada como estando em recessão técnica quando regista duas variações trimestrais do PIB negativas consecutivamente.

Esta travagem da indústria alemã, que se pode vir a reflectir no desempenho económico geral, é uma notícia muito negativa para o resto da zona euro, incluindo países como Portugal, que têm na Alemanha um dos seus principais parceiros comerciais.

Banco Mundial revê em baixa crescimento económico

O resultado confirma também o acentuar da tendência de abrandamento que se tem vindo a verificar nos últimos meses na economia mundial. Esta terça-feira, o Banco Mundial reviu em baixa as suas previsões de crescimento para o globo, tanto para o ano passado como para este ano.

Em 2018, quando antes previa um crescimento mundial de 3,1% (o mesmo que em 2017), agora a entidade com sede em Washington aponta para 3%. Para 2019, passou de uma previsão de 3% para 2,9%.

É nas chamadas economias avançadas, e na zona euro em particular, que o abrandamento é mais acentuado. As economias da moeda única europeia deverão, de acordo com o Banco Mundial, passar de um crescimento de 2,4% em 2017 para 1,9% em 2018 e 1,6% em 2019. Há seis meses, a mesma entidade previa um abrandamento mais moderado, para 2,1% em 2018 e 1,7% em 2019.

Na maior economia emergente, a China, o abrandamento também é notório, mas mesmo assim, as revisões efectuadas são apenas ligeiras e permitem que o gigante asiático continue a registar taxas de crescimento acima de 6% este ano. A previsão aponta para uma variação do PIB chinês de 6,5% em 2018 e de 6,2% em 2019.

No relatório, os responsáveis do Banco Mundial assinalam a “fragilidade” da actual conjuntura económica internacional, afirmando que “o crescimento ficou mais fraco, as tensões comerciais mantém-se elevadas, várias economias emergentes passaram por stress financeiro e os riscos para a conjuntura aumentaram".

O Banco Mundial, que analisa sobretudo as economias em desenvolvimento (e não apresenta previsões específicas para Portugal) assinala a ameaça que representaria para os países emergentes e para as economias mais pobres do planeta a eclosão de uma guerra comercial entre os EUA e a China.

As novas previsões do Banco Mundial foram apresentadas numa altura em que o presidente da instituição, Jim Yong Kim, anunciou a sua saída antecipada do cargo, sendo substituído interinamente por Kristalina Georgieva.