Seis carteiristas foram proibidos de entrar na baixa de Lisboa em 2018

Das 183 detenções feitas em 2018, nas freguesias de Santa Maria Maior, Misericórdia, Arroios e Santo António, seis carteiristas foram sujeitos a medida de coacção que os proíbe de entrar na baixa de Lisboa.

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Aplicação da medida de coacção permite a proibição da entrada de carteiristas na baixa de Lisboa Nuno Ferreira Santos

Em Lisboa, à semelhança de outras cidades europeias, polícias e carteiristas disputam diariamente o jogo do gato e do rato, em que no final nem sempre prevalece a justiça. Com o aumento do turismo nas ruas da capital, as mãos de carteiristas estão cada vez mais expeditas. De acordo com o Jornal de Notícias, no último ano, os furtos de carteiristas aumentaram 89%.

A 2 de Janeiro, noticiava o jornal I, dois homens foram detidos pela PSP, após roubarem uma turista eslovena na baixa de Lisboa. De acordo com o mesmo jornal, os dois indivíduos acabaram por ser libertados pelo tribunal, com a proibição de frequentarem a baixa lisboeta e com obrigatoriedade de apresentações diárias numa esquadra.

Sobre o número de carteiristas que foram sujeitos à proibição de frequentar determinada parte da cidade, Tiago Garcia, comissário e porta-voz da Polícia de Segurança Pública (PSP), avançou que a referida medida foi aplicada “a seis dos 183 carteiristas detidos” durante 2018, nas freguesias de Santa Maria Maior, Misericórdia, Arroios e Santo António — o que corresponde a 3.3% dos detidos.

Tiago Garcia explicou ao PÚBLICO que a aplicação da medida de coacção aplicada aos dois carteiristas “tem sido rara”, pois na maioria das detenções efectuadas em situações semelhantes, “os autores são indiciados pelo crime de furto simples, o que não admite a medida de coacção de ‘proibição e imposição de condutas’, de onde poderá resultar a proibição de frequentar determinado espaço”.

Quanto à forma de assegurar que a medida aplicada é cumprida, o comissário é realista: “não existem garantias”. O que pode ser feito é um reforço da fiscalização nos locais onde existe mais incidência deste tipo de furtos e uma vigilância apertada, visto que “a PSP conhece parte dos sujeitos” que se dedicam ao furto de carteiras e notifica o Ministério Público sempre que se verifique o incumprimento de algumas medidas de coacção impostas pelo tribunal.