Quem tomar conta deste farol recebe 9500 euros por mês

O farol foi construído para servir de guia aos barcos que navegavam pela Baía de São Francisco, mas há mais de 30 anos que funciona como bed & breakfast. Agora procura casal que aceite viver na ilha durante alguns anos.

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Frank Schulenburg

Um farol solitário procura casal para ser o seu "faz tudo". A localização? Uma pequena ilha com "vistas maravilhosas" para São Francisco, na Califórnia. A remuneração? Um salário de 130 mil dólares – são cerca de 114 mil euros anuais, ou 9500 euros por mês.

Um anúncio, publicado no SF Gate, dá conta da procura de faroleiros interessados em viver na ilha de East Brother e tomar conta do East Brother Light Station, o farol que iluminou o norte da baía de São Francisco até 1873. O trabalho está reservado, porém, a quem sabe pilotar um barco e gerir um bed & breakfast.

Era suposto o farol de East Brother ter sido demolido em 1970, mas um grupo de cidadãos locais conseguiu impedir a sua destruição ao candidatá-lo ao registo nacional de lugares históricos norte-americanos. Acabou por ser transformado num bed & breakfast que alberga até dez pessoas. No espaço, os visitantes recebem champanhe e entradas à chegada, conhecem o farol, que permanece operacional, desfrutam de um jantar com vários pratos e de um pequeno-almoço gourmet na manhã seguinte. 

Já foram vários os casais que ali se fizeram faroleiros. Embora o salário seja partilhado pelos dois, o trabalho requer algumas competências que excluem à partida muitos candidatos. No entanto, não faltam interessados em fazer da pequena ilha a sua casa durante alguns anos.

Os candidatos a faroleiros devem saber preparar refeições, limpar o espaço, servir os clientes, sair da ilha para ir buscar mantimentos e pilotar o único barco da ilha. Para tal, é necessária uma licença de capitão emitida pela Guarda Costeira dos EUA. O sal também corrói as estruturas com mais 150 anos, logo há sempre manutenção a ser feita.

O anúncio publicado no SF Gate requer um casal que se adapte facilmente a novos locais e tenha capacidade de planeamento. Terá pela frente um clima inesperado, estruturas partidas frequentemente e uma grande variedade de necessidades dos hóspedes. Além disso, a ilha não é um local onde os problemas podem ser resolvidos com uma ida ao supermercado ou a uma loja de ferramentas. 

"Gostamos muito de estar aqui"

Os últimos faroleiros, Meeker e Rodgers, vão ajudar na procura dos próximos guardiões do farol até ao dia 1 de Maio. Procuram um casal que tenha pensado em como dividir a carga de trabalho de forma justa e sustentável e que entenda o que é cuidar de East Brother. Deixam o alerta: cuidador de um sítio "é mais do que a imagem romântica de viver num farol", dizem, citados pelo The Guardian

Ao SF Gate, os faroleiros Elan e Katy contam que não teriam deixado o trabalho se tivessem percebido como funciona o serviço de entregas de piza na ilha. "Gostamos muito de aqui estar. É isolado, mas é fácil chegar à cidade, por isso, temos o melhor de dois mundos", afirmaram.

Todas as estruturas originais estão preservadas e funcionais: o farol, uma casa de campo para os gerentes e um pequeno prédio onde mora a buzina de nevoeiro original.

Depois de a Guarda Costeira dos EUA ficar responsável pela manutenção em 1930, o farol não precisou de gerentes e ficou desabitado durante quase dez anos. A ilha está agora na lista de lugares históricos dos Estados Unidos da América.

Artigo corrigido: devido a um erro no cálculo do câmbio, o valor do salário estava errado. São 114 mil euros anuais, ou 9500 euros mensais, e não 12 mil euros mensais, como inicialmente escrito.