"É uma nova era no Brasil: menino veste azul e menina veste rosa", avisa ministra

A afirmação é da ministra brasileira da Mulher, Família e Direitos Humanos e foi gravada no dia da sua tomada de posse e divulgada nas redes sociais. As reacções não tardaram.

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Damares Alves, vestida de azul Presidência da República do Brasil

 A frase é uma lição de estereótipos de género: Damares Alves, a ministra brasileira da Mulher, Família e Direitos Humanos de Jair Bolsonaro, surge num vídeo divulgado nas redes sociais a afirmar que “é uma nova era no Brasil” onde “menino veste azul e menina veste rosa”.

A pastora evangélica e advogada, que foi assessora parlamentar do ex-senador Magno Malta — o mesmo que conduziu a oração improvisada no dia da vitória de Bolsonaro nas eleições presidenciais — surge rodeada de apoiantes numa sala, em que é aplaudida pelos presentes. Parece ter acontecido a 1 de Janeiro, o dia da tomada de posse do Presidente, pela roupa que a ministra usa, diz o jornal O Globo.

O vídeo gerou uma avalanche de reacções nas redes sociais, e nos media, com uma campanha para que as pessoas ponham fotografias suas online usando roupas azuis e rosa — o cantor Caetano Veloso deu o exemplo, vestindo-se de rosa, e muitas outras figuras públicas aproveitaram o mote. A jornalista de política da televisão Globo News Andréa Sadi vestiu-se de azul para entrevistar a ministra. E já há até um protesto marcado para dia 10 no Rio de Janeiro contra as declarações de Damares Alves.

Diga-se de passagem que Damares Alves é pródiga em posições chocantes, como a “gravidez é um problema que dura só nove meses” — é sobretudo pelas suas posições contra o aborto que se tem destacado, até porque é ministra da Mulher.

Ao Globo, a ministra tentou esclarecer que não acredita que os brasileiros devam usar cores de roupa de acordo com o seu género. “Fiz uma metáfora contra a ideologia de género, mas meninos e meninas podem vestir azul, rosa, colorido, enfim, da forma que se sentirem melhores”, disse Damares Alves. Mas assegura que não se arrepende do que disse. 

No seu discurso de quase uma hora na cerimónia de tomada de posse, a ministra afirmou que quer acabar com o “abuso da doutrinação ideológica de crianças e adolescentes no Brasil” e que “a revolução está apenas começando”.

Sublinhou que na sua actuação no Governo vai dar prioridade a políticas de defesa da vida do embrião e do feto — como disse, que “priorizem a vida desde a concepção”. “No que depender do governo, sangue inocente não será derramado neste país. Este é o ministério da vida”, declarou, mostrando claramente qual o seu posicionamento.

“O Estado é laico, mas esta ministra é terrivelmente cristã. Acredito nos desígnios de Deus”, afirmou.

As suas palavras já levaram no entanto, a que fosse hostilizada na rua. Como numa loja em que lhe perguntaram se era menino ou menina, porque ia vestida de azul...