China e iPhones que duram mais tempo quebram receitas da Apple

A descida agora antecipada significará uma queda de 5% nas receitas do último trimestre.

A empresa está pensa em simplificar a troca de telemóveis nas lojas Apple para aumentar as receitas no futuro
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Tim Cook está a planear simplificar a troca de telemóveis nas lojas LUSA/JUSTIN LANE

A Apple reviu em baixa as previsões de resultados e antecipa uma quebra nas receitas do ultimo trimestre de 2018. O anúncio veio juntar-se ao sentimento negativo que tem afectado os mercados nos últimos dias e está a pesar no desempenho das bolsas.

Nos valores agora apresentados, a tecnológica prevê facturar menos 6% a 10% do que tinha antecipado. No começo de Novembro, a empresa estimava que o último trimestre de 2018 fosse acabar com receitas entre os 89 mil milhões de dólares e os 93 mil milhões de dólares. Agora, comunicou que a facturação deverá ficar-se pelos 84 mil milhões. Este valor será uma descida de 5% face ao mesmo trimestre de 2017.

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O abrandamento da economia chinesa e receitas abaixo do esperado nas vendas do iPhone, com os consumidores a optarem por substituir baterias de telemóveis antigos ao invés de comprar novos, são apontadas como as causas a abrandar o negócio. A informação surgiu numa carta aberta aos investidores, publicada pelo presidente executivo da Apple, Tim Cook, nesta quarta-feira.

“Estávamos à espera de uma fraqueza económica em alguns mercados emergentes. Isto acabou por ter mais impacto do que projectámos”, admitiu Cook no texto. “Não previmos a magnitude da desaceleração económica, particularmente na Grande China [China continental, Hong Kong, Macau e Taiwan].”

A revisão em baixa foi uma surpresa. Em Julho, na comunicação de resultados para o segundo trimestre de 2018, o topo de gama iPhone X tinha sido destacado como uma das razões pelo aumento das receitas. A cotação da Apple na bolsa nova-iorquina Nasdaq abriu a sessão desta quinta-feira a cair mais de 9%, para os 144,02 dólares.

Apesar de o executivo acentuar o papel dos "factores macroeconómicos", admite que há outros elementos a influenciar a queda nas receitas. As vendas do iPhone em países desenvolvidos são um exemplo. "Alguns consumidores estão a aproveitar preços significativamente reduzidos para as substituições de baterias do iPhone", justificou Cook.

Há muito que a Apple se esforça por evitar que os utilizadores consertem os telemóveis: além de não vender peças para o iPhone, a empresa tem contestado propostas de legislação para simplificar a reparação de alguns aparelhos electrónicos em alguns estados nos EUA. As regras obrigariam as empresas a venderem peças para os aparelhos que fabricam e a disponibilizarem manuais.

Cook disse que a empresa já está a adoptar medidas para melhorar os resultados. Uma das possibilidades é facilitar a troca de telemóveis nas lojas. Também pretende simplificar a transferência de informação do telemóvel antigo para um novo.

Apesar da quebra nas receitas de iPhone (especialmente, na região da China), Tim Cook notou que as vendas para além do iPhone – o que inclui os serviços da empresa, os computadores Mac, o iPad, os wearables e acessórios para a casa – cresceram, em conjunto, quase 19% face ao ano anterior. “Os nossos resultados na China incluem um novo recorde ao nível das receitas para os serviços”, destacou Cook.