Entrevista

Science4you adiou entrada em bolsa para "ganhar tempo"

Miguel Pina Martins, fundador e CEO da Science4you, diz que a estratégia de assegurar um contrato de liquidez, que obrigou a mudar o calendário da operação de entrada em bolsa, surgiu após comentários de investidores que tinham "receios em torno da liquidez do título".

Miguel Pina Martins, fundador e CEO da Science4you
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Miguel Pina Martins, fundador e CEO da Science4you Nuno Ferreira Santos

Depois de ter prolongado a oferta pública inicial de acções (conhecida pela sigla em inglês IPO), mudando o calendário de entrada em bolsa que estava planeado inicialmente para assegurar um contrato de liquidez às acções (que lhes dá maior capacidade de atrair investidores), o fundador e presidente executivo da Science4you, Miguel Pina Martins, diz, em declarações por escrito, acreditar que a operação será um "sucesso".

Mesmo assim, não deixa de sublinhar que, nesta fase, "estamos sempre a falar no campo das hipóteses", num contexto de volatilidade e de quedas nas principais praças. O novo timing para a operação, defende, vai permitir "ganhar tempo e ajudar a uma maior estabilização do mercado e das bolsas". Iniciado a 28 de Novembro, o IPO termina agora no dia 1 de Fevereiro (inicialmente era a 14 de Dezembro), com o apuramento dos resultados previsto para três dias depois.

Quais as grandes vantagens do contrato de liquidez, para os potenciais investidores e para o sucesso da operação?
As grandes vantagens que advêm do contrato de liquidez referem-se ao facto de as acções genericamente no mercado nacional não terem muita liquidez, se excluirmos o PSI-20. Desta forma, conseguiremos sempre garantir liquidez no título, havendo sempre alguém com ordens para comprar ou vender as acções da Science4you.

Porque é que só depois de ter iniciado o processo é que a empresa decidiu optar por um contrato de liquidez?
Antes de lançarmos a oferta já tínhamos consultado o mercado sobre esta possibilidade, [mas] acaba por surgir durante o período da oferta tendo em conta os comentários de investidores relativamente aos receios em torno da liquidez do título. 

Sem esse contrato, e o alargamento do tempo, a operação podia ser cancelada?
Neste caso estamos sempre a falar no campo das hipóteses e possibilidades, e estamos muito confiantes que no final de Janeiro teremos uma operação bem-sucedida. Este contrato é relevante para melhorar a questão da liquidez, algo que é muito importante neste tipo de operações.

De que modo é que a volatilidade das bolsas está a afectar a operação?
No nosso entender, a volatilidade, a incerteza e as quedas que as grandes bolsas mundiais têm sentido nas últimas três a quatro semanas [final de Novembro e até ao Natal] têm obviamente sido prejudiciais para a nossa operação, bem como para todas as operações nacionais que têm decorrido. Obviamente que não somos excepção e a volatilidade das bolsas é bastante relevante, sendo que o novo timing vai permitir-nos ganhar tempo e ajudar a uma maior estabilização do mercado e das bolsas.

Acredita que não se vai arrepender de ter avançado agora?
Estamos muito confiantes de que não nos vamos arrepender e de que esta operação será um sucesso, sendo que nesta fase estamos sempre a falar no campo das hipóteses. Temos indicadores positivos e acreditamos, até ao último dia, na estabilização do mercado e no sucesso da nossa operação.